ESPAÇO DO LEITOR FACEBOOK LINKS CONTACTO
Monday Night RAW - HOJE EM DIRECTO - 02:00h [PT] - 00:00h [BR]
Não percas, aqui no Universo Wrestling!

Aqui fica os vídeos da Smackdown de ontem:







.................

Ser hipócrita ou provar que é capaz?

O tema desta última semana na WWE em volta do Daniel Bryan tem sido a hipocrisia que este último teve com todos os fãs quando fez o "cash-in" da sua mala do Money In The Bank sobre o World Heavyweight Champion Mark Henry nesta passada sexta-feira!

A questão que surge aqui é pelo facto de Bryan ter prometido a todos os fãs que ia ser o primeiro homem a fazer o "cash-in" da mala do Money In The Bank na Wrestlemania 28 e sair desse mesmo PPV com o World Heavyweight Championship na sua cintura, mas nesta passada sexta-feira fez questão de continuar uma rivalidade aquecida com o próprio campeão Mark Henry...

Depois de Big Show ter lesionado a perna de Mark Henry no Survivor Series (um "dejá-vu" do que aconteceu ao contrário no WWE Money In The Bank), Henry fez questão de provocar ainda mais Big Show nesta passada sexta-feira mesmo estando de muletas, para provar que a forma como reteve o título no Survivor Series foi justo.

Aconteceu que Big Show não quis aturar mais os comentários inocentes de Henry e então aplicou um enorme murro deixando Henry inconsciente, só que após estes acontecimentos Daniel Bryan fez o seu aparecimento e mostrou que estava determinado em fazer o "cash-in" da mala do Money In The Bank!

Bryan conseguiu rebolar o inconsciente Henry para o "pinfall" e tornou-se no novo World Heavyweight Champion para o grande desagrado de Michael Cole (comentador de tanto o Raw como a Smackdown), mas esta felicidade iria durar pouco pois Theodore Long (GM da Smackdown) veio anular este combate pelo título e entregou de novo a mala a Daniel Bryan de novo porque Henry não estava medicamente pronto para competir...

Isto como é óbvio deixaria os fãs e Bryan tristes, enquanto que o Michael Cole ficou histérico e começou a falar bem de Teddy Long, mas as novidades iriam continuar a surgir pois Teddy Long iria anunciar um "Fatal Four Way Match" para mais tarde onde Daniel Bryan iria colidir contra Randy Orton, Wade Barrett e o Intercontinental Champion Cody Rhodes!

Até aqui tudo bem, mas o vencedor deste combate iria ter a oportunidade de enfrentar Mark Henry pelo World Heavyweight Championship num "Steel Cage Match" no programa ao vivo da Smackdown na terça-feira a seguir e por isso, a determinação de Bryan iria ser maior do que nunca para chegar ao topo mesmo tendo a mala do Money In The Bank.

No fim da Smackdown desta passada sexta-feira, Bryan conseguiria a vitória para a alegria de muitos e depois do programa acabar iria explicar o porquê de ter feito o "cash-in" naquela noite e a conclusão a que muitos chegaram é que Mark Henry tornou esta rivalidade contra tanto Big Show como Bryan muito pessoal...

O ataque na semana passada de Henry a Bryan para o primeiro poder mandar uma mensagem a Big Show fez despertar uma fúria dentro de Bryan e foi por isso que ele disse que queria esquecer sobre ser "main-eventer" da Wrestlemania, e que agora tem o objetivo de provar a Henry que consegue derrotá-lo para ser finalmente World Heavyweight Champion!

Ora ontem no Raw, Mark Henry mostrou-se que ainda não estava recuperado a 100% da perna lesionada mas isso não o impediu de mandar umas quantas provocações a Bryan sobre o combate que terão hoje neste especial Smackdown ao vivo, até que Bryan aproximou-se e disse que não tinha nenhum medo dele e que no dia a seguir iriam ver quem ficaria em pé após o combate...

Após isso, deu um pontapé no joelho a Henry para mostrar que não está intimidado (apesar de alguns acharem que aquele pequeno pontapé foi um ato de hipocrisia) e será que hoje neste especial Smackdown iremos ver finalmente Bryan a realizar o seu sonho de criança? Ou estaremos a ver Henry a continuar a dominar o seu rival especialmente dentro da jaula? E o que acontece se Bryan captura o título, mesmo tendo a mala do Money In The Bank consigo?

Para além disto, está confirmado também:
- O Mick Foley como "Special Guest Host"... sabemos o quanto Foley gosta de animar a malta e o seu regresso há duas semanas atrás foi algo especial, pelo qual a WWE decidiu metê-lo como uma espécie de "Pai Natal" para esta edição de férias da Smackdown ao vivo, mas será que haverá problemas entre Foley e alguém quando o primeiro começar a distribuir alegria e paz pelos balneários da Smackdown? Ou irá ser uma noite pacífica para o "Pai Natal" de serviço?

Hora do show: 1h00
.................

É importante focarmos a federação em questão onde o combate se travou, pois a Universal Wrestling Federation (UWF) mostrava nesta altura um estilo de wrestling um pouco diferente do praticado nas restantes federações da época.

Aqui eram também privilegiadas as artes marciais como uma componente do espectáculo, sendo que grande parte dos lutadores da companhia eram também lutadores de outras artes marciais, começando a introduzir na empresa alguns golpes de Kickboxing e algumas manobras de submissão de outras áreas, o que tornava o combate um pouco mais realista, tornando-se por vezes imperceptível se havia ou não script nas batalhas que por lá se travavam. Todas estas variáveis introduzidas pelos lutadores ajudaram à criação da identidade da designação de "shoot style", como o tipo de wrestling praticado pela UWF.

A promoção durou pouco mais de um ano, pois após um atrito entre as suas duas top stars esta viu-se obrigada a dissolver-se. No entanto é sempre interessante de referir que os wrestlers da UWF regressaram de imediato à New Japan através de um ângulo de invasão, do qual surgiu a inspiração para a forma como se iniciou o projecto da nWo na WCW.

Os dois indivíduos que se encontraram a 5 de Dezembro de 1984 no combate que trago de seguida, foram treinados exactamente pelos dois lutadores que causaram o fim da comapnhia, sendo que, Yamazaki foi treinado por Satoru Sayama e Takada por Akira Maeda, que eram o "real deal" da companhia no seu auge.

Ora bons mestres levam a bons discípulos, o que nos permitiu ter o prazer de poder assistir a esta pérola classificada por Dave Meltzer como um 5-Star Match. Vejam então o combate:

.................

Boas a todos. Volto para mais uma Crónica MMA, a partir desta semana em nova data, agora às 3.ªs feiras, mas com a qualidade e vontade do costume!
Após semanas ininterruptas de acção ao mais alto nível, eis que tivemos uma semanita de pausa, sendo que houve eventos da Bellator e outras mais pequenas organizações não tão seguidas pela maioria de fãs de MMA. Assim sendo temos este Sábado a final do TUF 14 que terá como grande atração o main event entre Michael Bisping vs Jason Mayhem Miller, que farei o devido rescaldo na próxima crónica.

Para esta semana resolvi falar de um tema que tem marcado de certa forma a semana da UFC que é a organização daquele que promete ser um grande evento, já em inícios de 2012. Estou a falar do UFC 144: Edgar vs. Henderson (também conhecido como UFC Japan: Edgar vs. Henderson) que tem data marcada para 26 de Fevereiro no Saitama Super Arena em Saitama, Japão. É o regresso ao Japão 11 anos depois do UFC 29, e tem como palco aquela que é por muitos considerada como a Mecca das MMA, numa arena que tem capacidade para mais de 30000 espectadores em eventos deste tipo. Antes da falar da importância deste UFC 144, vejam o card que em apenas uma semana foi construído e tirem já as vossas conclusões.

Main card
Combate pelo Lightweight Championship:  Frankie Edgar (c) vs.  Benson Henderson
Combate Light Heavyweight:  Quinton Jackson vs.  Ryan Bader
Combate Heavyweight:  Cheick Kongo vs.  Mark Hunt
Combate Welterweight:  Jake Shields vs.  Yoshihiro Akiyama
Combate Lightweight:  Anthony Pettis vs.  Joe Lauzon
Preliminary card
Combate Middleweight:  Yushin Okami vs.  Tim Boetsch
Combate Lightweight:  Takanori Gomi vs.  George Sotiropoulos
Combate Featherweight:  Hatsu Hioki vs.  Bart Palaszewski
Combate Bantamweight:  Norifumi Yamamoto vs.  Vaughan Lee
Combate Middleweight:  Riki Fukuda vs.  Steve Cantwell
Combate Bantamweight:  Takeya Mizugaki vs.  Chris Cariaso
Combate Featherweight:  Tiequan Zhang vs.  Leonard Garcia

Em poucas palavras é um card fabuloso, para deixar o público de olhos em bico claramente!!!!
E perguntam vocês porque é que a UFC aposta tão forte neste evento? Acho que é claro que o público asiático será uma grande aposta para todos os desportos, vejam o exemplo do futebol com jogos a começar às 12h em Espanha para que os chineses possas assistir na TV! Pois as MMA não fogem à regra, ainda para mais “jogando em casa”. Contudo o Japão não é um mercado fácil de entrar para a UFC, por isso não estranhem a demora do regresso. Não se esqueçam que a Pride após falir foi comprada pela UFC e isso levou a um decréscimo das MMA no Japão com organizações a falir umas atrás das outras. Depois as regras algo diferentes, a contínua aposta no tradicional ringue em vez da moderna cage, são todos aspectos que fazem do público e mercado japonês um caso à parte se assim podemos dizer. Contudo estou certo do sucesso do evento e de que a UFC irá voltar mais vezes, e aproveitará para fazer a ponte para se impor em mercados vizinhos e já afirmados como prioridade por Dana White como a China, Índia e Coreia, entre outros. A ver vamos.
Como costume a UFC aposta num card formado à volta de nomes da casa, e este não foge à regra, mas não pensem que sou combates fáceis para os japoneses, aliás prevejo muitas decepções para o público. Mas isso são outras histórias, mas os nomes estão lá todos: Mark Hunt (nome famoso da Pride), Yoshihiro Akiyama, Yushin Okami, Takanori Gomi, Hatsu Hioki, Norifumi Yamamoto, Riki Fukuda e claro o grande Quinton Rampage Jackson que promete dominar as atenções da noite pelo seu passado histórico no Japão. Há e já me esquecia, temos um grande combate pelo título Lightweight como main event entre Frankie Edgar (c) vs.  Benson Henderson. Esperemos que até Fevereiro as lesões não atrapalhem aquele que promete ser um evento histórico!

Ps. Com muita pena que vejo Chris Leben envolvido num caso de doping, já suspenso por 1 ano, após ter controlado positivo no UFC 138 no combate contra Munoz. Com pena mas não surpreso, é conhecido o seu passado algo problemático nestas andanças, mas parecia dar claros sinais de estar uma pessoa diferente, e a UFC estava a dar resposta ao seu desempenho mais positivo. Só que o comboio só passa uma vez!!!

Abraços e conto com vossas opiniões sobre o assunto e outros que queiram trazer à mesa!!
.................
.................

Boas caros leitores, após a análise ao feedback recebido nos diferentes formatos de artigo que desenvolvi cheguei à conclusão que um formato baseado em imagens e gifs é o que melhor aceitação teve, portanto este será a partir de agora o formato oficial do Coisas de Wrestling. 

Uma das novidades que decidi implementar foi a inclusão da "Coluna Cor de Rosa," onde irão ser satirizados assuntos da actualidade semanalmente.

Divirtam-se :)


-------------------------------------------------------------------------------
== COLUNA COR DE ROSA ==
-------------------------------------------------------------------------------


R-Truth foi suspenso por fumar Marijuana sintética....
(Qual será a que o Miz fuma?!)
[...]



Finally..oh...Finally...Kevin Nash joined the "Dye your own air" club...
[...]

Vince McMahon: "Mark Henry...vais virar "face" --"
[...]


Ouvi dizer que a WWE vai buscar um anão ao México para uma feud com o que já lá têm...sabem no que vai dar?!


-------------------------------------------------------------------------------
== RANDOM STUFF ==
-------------------------------------------------------------------------------






.................

http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQn8bd4cLveT2ySrihqzcNM8zuChlZZqF3XmUTZgc9VFWP4GR8TXQ


O “What” é uma das novas iniciativas do Universo Wrestling, sendo que é um espaço com longa história, que remonta no já falecido Wrestling Fever. A dinâmica é bastante simples: a cada semana, uma imagem será colocada para que vocês possam fazer uma legenda para tal gravura. Sete dias depois, junto com a próxima imagem, sairão as três melhores frases criadas pelos leitores, valendo os respectivos pontos, 10, 7, 5, em uma classificação geral.

Fica aqui a da semana passada e a geral, respectivamente.

VENCEDOR (10 PONTOS) - "Entertainment for Kids?!", de TheIconKapitas
Segundo colocado (7 pontos) - Beowolf
Terceiro colocado (5 pontos) - "Reacção de Sponge Bob ao recente comentário de Y2J no twitter.", de Cell

Classificação Geral

PRIMEIRO LUGAR (39 PONTOS) - Cell
Segundo Lugar (15 pontos) - Kamisas
Terceiro Lugar (10 pontos) - TheIconKapitas
Terceiro Lugar (10 pontos) - Gabriel Justo
(7 pontos) - Beowolf
(7 pontos) - John albert
(7 pontos) - Dom Ricardo Corleone
(5 pontos) - Btaker22
(5 pontos) - Resistance316
(5 pontos) - A1000TON

Fica a imagem da semana e o desejo de sorte.

http://i21.photobucket.com/albums/b255/JoeyJuarez/hbk.gif
.................

Três vezes é demais?

Esta semana vai ser bem especial, visto que tanto a Smackdown como o Raw serão programas ao vivo e para começar bem a semana iremos ver no "main-event" do Raw com uma desforra do Survivor Series pelo WWE Championship entre o novo campeão CM Punk e o ex-campeão por 2 vezes, Alberto Del Rio.

Sabemos muito bem a animosidade que estes dois têm tido nestes últimos meses e tudo começou devido ao "cash-in" de Alberto Del Rio no SummerSlam deste ano, que aproveitou de um ataque de Kevin Nash feito a CM Punk (o novo WWE Undisputed Champion na altura)!

A partir daqui, CM Punk iria ter assuntos sérios com Triple H devido ao facto deste último ter alguma relação com a situação do Nash ter atacado o Punk, que mais tarde foi descoberto que Nash planeou isto tudo para provocar problemas grandes na WWE...

Inclusive estes assuntos iriam dar origem a um combate entre Triple H e Punk, em que Nash iria interferir, atacando ambos os lutadores, só que no final Triple H prevaleceu depois de uma grande luta contra CM Punk e foi a partir daqui que Punk conseguiu obter novas oportunidades pelo WWE Championship.

No WWE Hell In A Cell iriamos ver John Cena a defender o WWE Championship (porque durante o tempo que o Punk esteve em rivalidade com HHH ele derrotaria Del Rio pelo título) contra Del Rio e Punk no primeiro "Triple Threat Hell In A Cell Match" e aqui provaria ser mais uma vez a inteligência de Del Rio contra a experiência de tanto Punk como Cena...

Com uma pequena ajuda de Ricardo Rodriguéz no exterior, Del Rio iria conseguir deixar Cena fora da jaula para que pudesse continuar o ataque sobre um fraco CM Punk para poder conquistar o seu segundo WWE Championship e foi aqui neste reinado que Punk iria pôr um fim!

Punk iria ficar ausente do WWE Championship no PPV a seguir para poder ajudar Triple H a combater contra os Awesome Truth, mas falharam, só que mesmo com esse falhanço, Punk decidiu que era altura de acabar com o reinado de Del Rio e foi o que aconteceu no Survivor Series deste ano.

Depois de um grande combate, Del Rio iria acabar por desistir do combate após Punk ter aplicado o seu famoso "Anaconda Vise" para assim poder conquistar o seu segundo WWE Championship e na semana passada, as coisas ficaram mais animadas entre ambos pretendente e campeão...

Para além de Del Rio conseguir dominar o combate dele contra Zack Ryder e de ter derrotado este mesmo, Punk teve um excelente combate de televisão contra o atual United States Champion Dolph Ziggler para estarem preparados para esta colisão de hoje!

Quem marcou esta colisão foi John Laurinaitis (atual GM do Raw temporário) e nestes últimos tempos anda a ser desafiado por CM Punk para inovar e fazer algo que deixe os fãs contentes, coisa que ele não gosta visto que está mesmo lá para lixar algumas pessoas.

Seja como for, o Raw de hoje promete ser espetacular e como este WWE Championship Match de hoje, quem irá sair desta edição do Raw como WWE Champion? Será que Punk irá manter por mais algum tempo? Ou irá Del Rio mostrar que três vezes é demais?

Para além disto, está confirmado também:
- Um especial "Piper's Pit" em que o convidado é John Cena... nós todos temos a noção que o Piper's Pit é sem dúvida um dos mais controversos e emocionantes segmentos da WWE, onde o próprio "Hot Rod" Roddy Piper faz as perguntas e volta a fazê-las quando os seus convidados pensam que têm a resposta na língua e nestes últimos tempos John Cena tem andado a ser a vítima nesta situação do combate dele contra The Rock nesta próxima Wrestlemania e no Survivor Series presenciou aquilo que poderá ser o seu destino no grande PPV de 2012. Hoje iremos ver Piper tentar esclarecer algumas situações com John Cena sobre esta situação, mas será que as perguntas e as respostas estarão na ponta da língua para Cena? Ou será que iremos obter algumas reações por parte de Cena?
.................




Bem-vindos a mais uma edição do L'Space. Para a crónica irei falar um pouco do que tem acontecido com Daniel Bryan, e o que pode ser que venha a acontecer.


Como sabem, no PPV Money in The Bank, Daniel Bryan foi o vencedor do MITB match do Smackdown, ganhando assim a mala que lhe dá a oportunidade de ter um combate por qualquer titulo, em qualquer lugar a qualquer minuto, em qualquer situação (ou talvez não). No entanto e logo depois de vencer a mala, Daniel Bryan falou que ia usar essa oportunidade de lutar pelo titulo, para lutar no main event do maior palco do wrestling mundial, ou seja, na Wrestlemania.


Muito se especulou sobre a veracidade dessa decisão, afinal ainda faltava muito tempo para isso acontecer. Uns falavam que ele falou isso só para tornar o cash in mais surpreendente, outros falaram que foi mesmo para dar a oportunidade de lutar no ME da wrestlemania. Não sei bem, o que sei é que com o passar do tempo DBryan desapareceu, voltando agora nestes últimos tempos  à antena da wwe, trazendo consigo a espectativa sobre se realmente vai haver cash in antecipado ou não.
Aliás, já houve mesmo um falso cash in que tem feito rolar muita tinta.
Se querem saber a minha opinião acerca de tudo isto, não percam as próximas linhas.
A verdade é que sim, DBryan merece aquela mala, no entanto todos nos estamos com um pé atrás, pois todos sabemos que ele é excelente no ringue, mas na WWE isso não é tudo, ou melhor, por vezes nem é o mais importante. Portanto, acho que a WWE lançou a ideia de que o Bryan ia usar a mala na Wrestlemania, para até lá verificar e afinar um Bryan como campeão mundial.
A WWE precisa saber se Bryan é indiferente ou não ao publico, a WWE precisa saber se o Bryan tem capacidade de carregar o titulo mundial, a WWE precisa criar oponentes para o Bryan.


Acho que a WWE tem feito as coisas da melhor maneira, primeiro com aquele "desaparecimento" do Bryan, conseguiu saber se no seu regresso ao ME teria algum impacto. Depois a WWE criou algumas situações que deram a entender que DBryan poderia cobrar a mala, para ver se os fãs começavam a ficar ansiosos e se gritavam pelo nome de Bryan, criou até o angle do Fake Cash in para ver como os fãs correspondiam ao mesmo. Tudo isto foi feito para ver se Bryan conseguia arrancar reacção do publico, coisa que todos os campeões mundiais devem conseguir fazer.
Acho que a WWE está a prevenir para que não aconteça algo como o reinado do Swagger, que foi um autentico flop. A  WWE também teve culpa no cartório, afinal não lhe deu feuds e adversários "ideiais" para ele, no entanto, ele não tinha presença nenhuma entre o publico, ninguém o via como um campeão mundial.

No entanto, e depois de ver-mos o que vimos na ultima SmackDown!, poderemos dizer que o Bryan passou pelas preliminares, ou seja, está pronto para fazer o cash in e se tornar campeão, o reinado depois será outra coisa diferente. Notou-se que os fãs gostaram de ver o cash in e a "captura" do titulo mundial, e notou-se mais ainda que ficaram contra o angle de anular tudo. Não foi só na arena, mas na Internet notou-se que as pessoas querem realmente ver o Bryan a campeão.
Acho que isso não irá demorar assim muito, afinal o Bryan por muito que lhes custem, irá ser um simples campeão de transição, e esta é normalmente a altura de coroar esse tipo de campeões. Acho que o Bryan deverá capturar o titulo ou na semana que vem, ou no TLC. Não vejo outra altura para ver o Bryan campeão a não ser nesta road to wrestlemania, ou seja até ao Elimination Chamber, ou no máximo até à Wrestlemania.
Agora resta é saber como a WWE irá trabalhar as coisas. Acredito que ou  é o Sheamus ou o Orton que vão entrar como campeões na Wrestlemania, portanto até la caso eu esteja a prever bem as coisas, o Bryan deverá perder o titulo para um deles,  muito provavelmente no EC. Até lá, gostava de vê-lo em feud com o Rhodes, Ziggler ou Christian, pois são wrestlers de certa forma credibilizados e da mesma estatura, o que o pode ajudar e muito a fazer o que melhor sabe: lutar. Alguns dizem que o Mark Henry seria um bom adversário para o deixar Over, eu acredito que não. Acho que é um pouco forçado meter alguém como o Bryan a derrotar um monstro, acho que em vez do resultado de fazer o Bryan forte, vai ser o do Henry um valente nabo, sem contar que não acredito muito que eles possam fazer um bom combate, e o ponto que deve ser explorado em Bryan para ser um campeão credível é a sua capacidade de lutar.

Acho que aquele angle do fake cash in foi bem conseguido, e foi uma boa maneira de saber se o Bryan está de certa forma pronto para receber o titulo, o que para mim acho que sim. Agora com estando nesta altura em que estamos, é mais que provável que ele vença o titulo, pois é uma altura propicia para os campeões de transição, já que na Rumble não é habitual haver "wrestlers de peso" a feudar pelo titulo, pois estão mais preocupados em ganhar o Royal Rumble Match. Caso o Bryan vença, gostava de ver um dos nomes que referi em cima atrás do titulo mundial, para assim tentar beneficiar o máximo possivel das potencialidades do Bryan que é o combate.



E vocês o que acham do Bryan, e o que tem achado de tudo isto que tem acontecido ao seu redor?

Bem hoje fico-me por aqui, até para a semana.





.................
Não é só o Wrestling Golden Moments que estreia hoje no Universo Wrestling!

Este "Vindo do Baú" irá trazer PPV's antigos às segundas feiras, sempre que a WWE ou a TNA não realizem PPV no Domingo.

Esta semana deixo-vos com o King of The Ring de 2001...


CARD:

King of the Ring Semi-Final match
Kurt Angle vs. Christian

King of the Ring Semi-Final match
Rhyno vs. Edge

WWF Tag Team Championship
Dudley Boyz(c) vs. Kane e Spike Dudley

King of the Ring Final match
??? vs. ???

WWF Light Heavyweight Championship
Jeff Hardy vs. X-Pac

Street Fight
Kurt Angle vs. Shanne McMahon

WWF Championship
Steve Austin vs. Chris Jericho vs. Chris Benoit

Videos:
.................
Bem vindos ao novo espaço do Universo Wrestling, o "Wrestling Greatest Moments", onde semanalmente serão mostrados os melhores momentos da história do Wrestling Profissional.

Para além de lerem o artigo, gostava que descrevessem na caixa de comentários qual é o momento que consideram ter sido de "ouro" para o Wrestling, de forma a que todos possamos trocar impressões e quem sabe eu não aborde esses momentos aqui no "Wrestling Golden Moments".


Formação da nWo - 1996

Vamos contextualizar a coisa em 1996, em plena guerra WWF/WCW, mais precisamente numa altura em que Ted Turner chega à WCW com os bolsos cheios de dólares para gastar...

Quem deve ter ficado absolutamente em êxtase foi certamente Eric Bischoff, que se via com margem de manobra para contratar, para além de já possuir um programa ao vivo, coisa que a WWF na altura ainda não fazia.

Scott Hall e Kevin Nash estavam com os seus contratos a terminar e com a guerra dura a empresa de Conneticut vivia um período complicado para conseguir lidar com os seus contratos, falhando a sua renovação. Esta questão soou muito bem a Bischoff que conseguiu trazê-los para a WCW, aplicando a sua inteligência para tentar sacar a massa adepta da WWF criando um ângulo com referências à empresa rival.

Da mente brilhante - na altura ainda funcional - de Eric este planeou um dos melhores angles da história do Wrestling, quando colocou Hall e Nash recorrentemente na fila da frente dos programas semanais da empresa, assumindo os fãs que estes estariam ali a mando de Vince McMahon. As simples aparições tornaram-se em ataques e Hall e Nash converteram-se nos Outsiders, uma das mais maiores duplas da altura.

Sting e Macho Man apresentaram-se como os heróis da WCW e intrometeram-se no caminho de Hall e Nash. A colisão iria dar-se no Bash at the Beach de 96 e quando a equipa face dominava, através das suas manhas heel, os Outsiders estendem os seus adversários e acontece isto...

.................

Capitulo 27

Eddie fala-nos sobre a forma como conseguiu, ao lado dos seus amigos, sair da WCW e mudar-se para a WWE, onde encontrou um ambiente bastante diferente, daquele a que estava habituado. Dá-nos a conhecer como foram os seus primeiros dias na nova companhia e conta algumas peripécias, pelas quais passou.


Eu estava em casa, a recuperar da minha lesão no cotovelo, quando fiquei a saber que Vince Russo se tinha despedido. Aparentemente, a direcção não estava satisfeita com as mudanças que ele fez e este decidiu sair, em vez de se tornar parte do comité criativo, liderado por Kevin Sullivan. Todos os meus amigos me informaram como as coisas andavam más nos bastidores. Todos estavam miseráveis, andando de um lado para o outro como mortos-vivos. Ninguém acreditava mais naquilo. O facto de Kevin Sullivan ser o “booker” não era uma coisa boa para mim, para o Chris e para o Dean. Na verdade, ele disse ao Dean, ao Perry e ao Shane Douglas que “eles eram o maior desperdício de dinheiro que a empresa tinha e nunca seriam capazes de fazer um centavo.” Isso praticamente disse tudo sobre o que ele pensava de nós. Pior ainda, havia uma animosidade pessoal entre o Kevin e o Chris, que não nos colocava, a nenhum de nós, num bom lugar. Não havia problemas entre mim e o Kevin, mas o Chris era a minha família, e o que faziam a ele, faziam a mim e ao Dean. (…) Para seu crédito, Bill Busch decidiu que o Chris devia ser o campeão mundial da WCW. Ou ele era esperto o suficiente para saber que o Chris era o melhor wrestler da empresa, ou estava a tentar estender um osso aos rapazes. (…) No Souled Out PPV, Chris Benoit ganhou finalmente o WCW World Heavyweight Championship, que já merecia há muito tempo. Mas Sullivan elaborou o final de maneira a que o seu adversário, Sid Vicious, tivesse o pé debaixo das cordas, quer como forma de armar um rematch, ou como garantia, no caso dele querer, no futuro, o titulo longe do Chris. Na noite seguinte, foi o meu dia de regresso, após a cirurgia ao cotovelo. O Nitro ia ser gravado no Ohio State, em Columbus, Ohio e eu tinha literalmente acabado de entrar na arena, quando o Chris e o Dean vieram ter comigo e me informaram que iam pedir a rescisão dos seus contractos. “Estás connosco?”, perguntaram. “Claro”, disse. Eu queria sair desde que tinha pedido a rescisão do meu contrato ao Bishoff, dois anos antes.”

“Estava contente com a possibilidade de finalmente me pirar dali, de uma vez por todas. Basicamente fizemos um ultimato à direcção. “Não estamos confortáveis com a nossa situação actual”, dissemos. “Não podemos continuar a trabalhar debaixo da estrutura que vocês montaram”. (…) Fomos todos mandados para casa, à excepção do Benoit. Afinal de contas, ele era o novo campeão. Mas o Chris não ia deixar que o usassem daquela maneira. Ele disse ao Bill Busch que se o resto de nós ia para casa, ele também ia. Sendo o profissional que é, concordou em perder o título para quem eles quisessem naquela noite, no Nitro. “Não te incomodes”, disseram-lhe. “Vai-te embora”. “É para já”, disse o Chris. Entregou o seu título ao árbitro Nick Patrick, e saímos do edifício todos juntos. (…) No entanto, havia um problema. Uma cláusula nos nossos contractos impedia-nos de trabalhar para qualquer outra empresa, durante, pelo menos, 6 meses. Obviamente, tentámos que eles retirassem essa cláusula, mas eles foram rigorosos. (…) Felizmente, tínhamos alguns trunfos na manga, que forçaram a WCW a rescindir totalmente os nossos contractos. Quando dissemos que queríamos sair, um dos agentes da WCW enfureceu-se e ameaçou “cortar-nos a garganta”. Ele estava apenas a falar da boca para fora, mas isso permitiu-nos ir ao departamento de Recursos Humanos da Turner e dizer, “Oiçam, um dos vossos empregados ameaçou matar-nos se nós saíssemos. Ou vocês retiram a cláusula de não-competição dos nossos contractos ou nós processamo-vos.” Nem é preciso dizer, eu, o Chris, Dean, e o Perry fomos incondicionalmente libertados dos nossos contractos. Éramos oficialmente livres.”

“No dia seguinte, estava a jogar golfe, quando o Dean telefonou. “Ei, meu, temos de ir para norte para nos encontrarmos com o Vince McMahon”. Fui logo para casa, mudei de roupa e dirigi-me ao aeroporto. Foi uma reunião muito boa. O Vince disse-nos o quanto admirava o facto de termos decidido desistir de todo aquele dinheiro, por uma oportunidade de lutar com o coração de novo. Tudo o que queríamos era uma chance – de sermos nós próprios, de podermos avançar na companhia – e ele informou-nos que, sem dúvida, nos daria essa oportunidade. Deus o abençoe, as suas palavras têm sido verdadeiras. O Vince tem-nos dado todas as oportunidades para ganharmos popularidade. Como se verificou, acabámos por sair da WCW mesmo na altura certa. Um ano mais tarde, eles vieram-se abaixo, permitindo ao Vince comprar os bocados da empresa que sobravam. Eu acredito que a nossa saída foi a primeira machadada. (…) Quer eles gostem de admiti-lo ou não, os wrestlers como eu, o Dean e o Chris éramos os pilares da empresa.”
.

Os Radicalz (Eddie, Dean Malenko e Perry Saturn) atacam Triple H.


“Estávamos todos muito entusiasmados por sermos superstars da WWE, e até um pouco assustados. (…) Chegar à WWE era como uma lufada de ar fresco. Os nossos corações tinham sido despedaçados tantas vezes, e de repente, tínhamos novamente esperança. (…) Ao começar de novo na WWE, penso que todos sentimos, que estávamos a ter uma segunda oportunidade. Claro, estávamos um pouco intimidados, porque não conhecíamos ninguém e não sabíamos se eles nos iam aceitar, mas estávamos definitivamente felizes por ali estar. Tornou-se óbvio, desde que chegámos a Pittsburgh, que a WWE era um mundo completamente diferente daquele a que nos tínhamos acostumado. A atmosfera era exactamente o oposto à da WCW, muito organizada e profissional. Era incrível. Todos sabíamos que a WWE era a melhor companhia de wrestling no mundo, mas mesmo assim, era inacreditavelmente excitante presenciá-lo em primeira-mão. (…) Como sempre que faço algo pela primeira vez, cheguei lá muito tímido. Prestava atenção a cada passo que dava. Só queria agradar, fazer todos felizes. (…) Todos pareciam genuinamente contentes por nos ver. Não creio que alguém nos tenha encarado como ameaças. Se algo, viram a nossa chegada como algo bom para a indústria. Mick Foley, quem conhecia ligeiramente da ECW, foi especialmente simpático. Ele realmente esforçou-se por nos fazer sentir em casa. A WWE fez um kayfabe perfeito da nossa estreia – quase ninguém sabia que iríamos lá estar. O Raw abriu com Al Snow e Steve Blackman vs os New Age Outlaws. Assim que o combate começou, eu, o Dean, o Chris e o Perry sentámo-nos na primeira fila. No minuto que saímos lá para fora, conseguíamos ouvir o burburinho que se gerava na multidão, tipo, “Que raio é que estes tipos estão aqui a fazer?” Sentimos imediatamente uma grande diferença entre o Raw e o Nitro. Raw é maior do que a vida. As arenas estavam sempre lotadas e a atmosfera era electrizante.”

“A certa altura do combate, Road Dogg foi atirado por cima das barras de protecção, mesmo para cima de nós. Ele tentou bater no Chris, por isso saltámos as barras e atacámo-los. O Perry fez um Suplex ao Billy Gunn, e eu fiz-lhe um Frogsplash, enquanto o Malenko fez um Suplex ao Road Dogg, preparando-o para o Diving Headbutt de Benoit. O público ficou maluco. Foi tão bom. (…) A medida que batíamos nos New Age Outlaws, o comentador – e na altura, o homem responsável pelo talento da WWE – Jim “J.R.” Ross, deu-nos o nosso nome: nós éramos os Radicalz. Nos bastidores, o Cactus Jack perguntou-nos como nos sentíamos por olhar para as bancadas e ver um publico pagante. Esta era uma espécie de piada de bastidores. O negócio da WCW tinha-se tornado tão mau, que eles foram forçados a dar bilhetes de graça, apenas para não terem milhares de lugares vazios a aparecer nas transmissões televisivas. O Perry disse-lhe o que todos sentíamos: “Há muito tempo que não me divertia tanto”. Fizemos uma série de vinhetas, com o Cactus a apresentar-nos a vários wrestlers, incluindo D’Lo Brown, que também usava o frogsplash como finisher. “Movimento fixe”, dissemos um ao outro. Às vezes, quando as pessoas nos imitam, é uma forma de elogio, mas há outras alturas que ver alguém fazer os meus movimentos, me irrita a sério. Felizmente, Deus abençoou-me com talento suficiente para que eu não seja definido por um só movimento. Eu não tenho de ganhar sempre com o frogsplash. Não me interpretem mal – é importante ter um finisher dramático, ajuda tremendamente num combate. Mas eu não me importo que outras pessoas tenham as suas próprias versões do frogsplash. O D’Lo fá-lo de uma maneira, o Rob Van Dam fá-lo do seu próprio jeito. É o mesmo movimento, mas feito num estilo diferente, por cada um de nós. O programa acabou com os quatro a ajudarmos o Cactus a espancar o Triple H. Creio que o plano imediato era colocar o Chris no main event. Eu sei que o Vince já andava a tentar pôr as mãos no Chris há muito tempo. Ele admirava os talentos puros de Benoit para o wrestling e estava seguro de poder torná-lo uma estrela. Eu aceitava isso perfeitamente. Sempre acreditei que o Chris merecia ser uma estrela de topo.”

“A minha segunda noite na WWE já não foi tão divertida como tinha sido a primeira. (…) De forma a ganhar contractos com a WWE, os Radicalz tinham de lutar com os Degeneration-X numa série de 3 combates – Malenko vs X-Pac, Benoit vs Triple H e Saturn e eu vs os New Age Outlaws. Se os Radicalz ganhassem dois de três, conseguíamos os contractos. (…) O Dean perdeu para o X-Pac no primeiro dos três combates, por isso o plano era eu, o Chris e o Perry ganharmos os próximos dois combates. Eu e o Perry estávamos a lutar com os Outlaws. Quando eu fui fazer o frogsplash no Billy Gunn, inconscientemente tentei proteger o meu cotovelo direito, aquele ao qual tinha sido operado. Como resultado disso, aterrei mal e desloquei completamente o cotovelo do meu braço esquerdo. (…) A dor era inacreditável! Eu literalmente não me conseguia mexer. “Cobre-me”, disse ao Road Dogg, por entre os dentes. Ele também não sabia o que fazer, por isso pôs em cima de mim – 1-2-3! Olhando para trás, sei que entrei em pânico. (…) Mas estava com tantas dores, que a minha cabeça ficou em branco. Quando cheguei aos bastidores, comecei imediatamente a pedir desculpas. “Desculpem! Não estava a pensar!”. “Não te preocupes”, disse o Vince. “Nós resolvemos isto”. Eu ainda estava com a minha roupa de luta quando a ambulância chegou. (…) Finalmente, decidiram deixar-me entrar na sala de emergências. Agora, lembrem-se que isto era Detroit, aquela era uma sala de emergências ocupada. Havia lá pessoas com ferimentos de bala, punhaladas. Tudo o que eu tinha era um cotovelo deslocado. Levei cerca de uma hora até me atenderem. (…) O médico explicou que devido ao facto dos meus músculos terem enrijecido, eles não seriam capazes de simplesmente colocar o meu ombro no sítio. Eles teriam de me pôr a dormir, de forma a relaxar os meus músculos o suficiente para eles o conseguirem arranjar. Deram-me anestesia e, finalmente, perdi a consciência. Quando voltei a mim, Vince e a sua filha, Stephanie, estavam à beira da minha cama. “Não te preocupes, Eddie”, disse o Vince. “Vamos usar isto. Vamos torná-lo popular. Vais ficar bem”. “Graças a Deus”, pensei. Foram tantos os pensamentos que me passaram pela cabeça. Temi ter estragado tudo. “Dei barraca no meu primeiro combate na WWE. O que é que eu vou fazer agora?” Mas o Vince foi espectacular. Ele tem estado nesta indústria há tempo suficiente para perceber que, às vezes, estas coisas acontecem. Quando assim é, tentamos tirar o máximo proveito disso e seguimos em frente.”
.

Eddie finge estar doente para não combater.


Capítulo 28

Eddie continua a falar-nos das suas primeiras rivalidades na WWE, os primeiros combates, o primeiro titulo e a crescente química entre ele próprio e a Nona Maravilha do Mundo, Chyna.


“Acabei por não falhar um único programa por causa da minha lesão. Em vez disso, aparecia com o meu braço engessado. E escondido dentro do gesso, estava o gimmick que acabaria por ajudar a elevar-me na WWE – um cano de aço. É irónico, mas deslocar o meu cotovelo acabou por ser uma bênção em disfarce. No próximo Raw, os Radicalz viraram heels. Livrámo-nos do Mick Foley e juntámo-nos à Era McMahon-Helmsley. (…) De imediato, o Chris foi colocado num papel de main event, a trabalhar com pessoas como o The Rock. Quanto a mim, ao Dean e ao Perry, começámos a lutar com Too Cool e Rikishi. Visto que eu não conseguia lutar, estava a trabalhar numa capacidade clássica de manager. Eu interferia em quase todos os combates dos Radicalz, usando o meu cano de aço, fazendo batota para ganhar. Não me incomodava trabalhar no midcard. O que era importante era que estava a ter uma oportunidade de me elevar. Era tudo o que eu queria. (…) Consegui a minha primeira vitória na WWE por “desistência” – mais ou menos. Primeiro, ajudei o Perry e o Dean a vencer o Too Cool, ao deitar abaixo o Scotty 2 Hotty com o meu fiel cano de aço. Depois, quando o Rikishi apareceu para os salvar, dei-lhe das boas. À medida que o levavam para a ambulância, comecei a gritar com apresentador Tony Chimel, a exigir que ele me anunciasse como vencedor contra o Rikishi, por “desistência”. O árbitro Mike Sparks ergueu a minha mão e bem, eu celebrei como se tivesse acabado de ganhar o título mundial – “Consegui! Consegui!” (…) A 21 de Fevereiro de 2000, o Raw chegou a Atlanta, a terra natal da WCW. Fizemos um programa com lotação esgotada no Geórgia Dome, que é para a WCW, o que o Madison Square Garden é para a WWE – a arena principal. Era extremamente surreal, actuar num lugar onde já tinha lutado tantas vezes, mas desta vez, tudo era diferente. Eu e o Rikishi tivemos um combate sem desqualificações, que ele ganhou ao acertar-me com uma muleta de metal. Já tinha lutado com centenas de wrestlers, levado com dezenas de finishers, mas nunca tinha levado com um Stinkface antes. Aprendi rapidamente que não há muito a fazer para nos protegermos quando o Rikishi planta o seu grande rabo na nossa cara – só podemos fechar os olhos, aguentar a respiração, e rezar para que não dure muito tempo!”

“Ficou decidido que eu ainda não estava preparado para lutar, mas mantiveram-me definitivamente ocupado. Passei as semanas seguintes, que levaram à minha primeira Wrestlemania, a dar assistência aos meus companheiros dos Radicalz, interferindo em combates contra oponentes como Tazz, Jericho, Chyna, Edge e Christian, Test e Val Venis e o The Rock. A 13 de Março, o Dean tornou-se o primeiro Radical a usar ouro da WWE, quando venceu o Essa Rios pelo título Light Heavyweight. Visto que o Essa estava acompanhado pela Lita, era apenas justo que eu estivesse no canto do Dean. Antes do combate, disseram-nos que queriam que a Lita me fizesse uma Hurracarana, que eu iria reverter para um powerbomb, fora do ringue. Eu sabia que seria uma queda dura, e que não havia nenhuma forma segura de realmente a proteger. (…) Antes de sairmos lá para fora, perguntei à Lita, “Tens a certeza que queres fazer isto?”, “Não, não”, disse-me, “Eu faço-o”. Deus a abençoe, ela foi uma porreira. Não estava a pensar nela própria – estava a pensar na empresa. Chega a altura de executar o movimento. Eu estava lá fora. A Lita veio do topo, mas eu apanhei-a antes que ela conseguisse fazer o movimento. Tentei atirá-la ao chão direita, mas o ângulo era ligeiramente estranho e a força ao aterrar separou-lhe o ombro. Senti-me tão mal por causa disto. Pela graça de Deus, muito poucas pessoas se magoaram a trabalhar comigo. Uma das primeiras coisas que o meu pai me ensinou foi a como cuidar das pessoas. “Quando estás no ringue com alguém”, dizia, “eles estão a dar-te o seu corpo. A tua função é mantê-los em segurança.” Regressei ao plantel activo duas semanas antes da Wrestlemania. (…) Na semana antes, no Raw, juntei-me a Benoit para um combate contra Chris Jericho e a Chyna. À medida que os “Chrises” lutavam no ringue, a Chyna e eu envolvíamo-nos fora dele. O Dean e o Perry apareceram para ajudar, seguidos pelo Too Cool. Gerou uma grande briga, o que originou o meu primeiro combate numa Wrestlemania. Era a Chyna e o Too Cool vs the Radicalz. Depois do combate, disseram-me que havia uma química natural entre mim e a Chyna. Quando sugeriram que eu trabalhasse com ela, não me preocupei que isso fosse danificar a minha reputação como wrestler. O meu objectivo é aceitar tudo o que me derem e seguir em frente. Essa é a atitude que eu tento sempre ter, aceitar tudo o que me ponham na frente e fazer o melhor que puder. (…) Penso que muitos dos rapazes queriam evitar ao máximo trabalhar com a Chyna. Ninguém queria ficar em segundo plano para uma mulher, mesmo que ela fosse a Nona Maravilha do Mundo. Mas eu sabia que conseguiria safar-me bem.”
.

Eddie Guerrero e Chyna.

“A Wrestlemania 2000 foi uma experiência inacreditável. Estava tão feliz por estar lá. Este é o maior evento da nossa indústria, a final da taça dos Campeões, para o Wrestling. Quando eu estava na WCW, honestamente não assistia muito à WWE. Eu vestia a minha camisola. Mas de vez em quando, sintonizava no Raw ou num dos PPV’s, só para ver o que eles andavam a preparar. Obviamente, as diferenças eram enormes – a WWE era simplesmente muito mais excitante e interessante do que o que estávamos a fazer na WCW. Mas como todos os fãs de wrestling, assistia sempre à Wrestlemania. Não interessa qual a promoção de wrestling que gostasses mais, quer fosse a WWE, a WCW ou a ECW. Se adoras wrestling, tens de ver a Wrestlemania. A minha primeira aparição numa Wrestlemania não foi exactamente um clássico de 5 estrelas. Provavelmente a coisa mais memorável acerca do nosso combate foi o problema com o vestuário da Chyna. (…) Geralmente este tipo de situações é engraçado, mas não na Wrestlemania. Numa noite tão importante, a atmosfera é muito intensa e estão todos demasiados concentrados para ver o humor, no que quer que seja.”

“O Raw da noite seguinte – no Staples Center em Los Angeles – foi muito mais significativo para mim, no que diz respeito à minha carreira. Eu cortei uma promo sobre a Chyna, antes do meu combate pelo título europeu, contra o seu amigo Chris Jericho. “Tem calma, mamacita”, disse eu. “Eu sei que só estás aqui porque queres algum Latino Heat. Quer dizer, admite, ontem à noite estavas praticamente a saltar para fora das tuas calças, só de me veres!” O público ficou louco quando eu me referi a mim próprio como Latino Heat. Imediatamente, soube que tinha encontrado algo. Mais tarde, Jack Lanza – um dos agentes da WWE – veio ter comigo e disse, “Toda aquela cena da Mamacita e Latino Heat foi espectacular. Devias seguir com isso em frente.” O Vince pensou o mesmo. Deus o abençoe, ele é o mestre em se aperceber da resposta do público a algo relativamente pequeno, e depois torná-lo maior do que tudo. Antes que me apercebesse disso, passei a ser conhecido como Latino Heat. O combate também foi bastante agitado. (…) A Chyna entregou-me o meu primeiro título da WWE, e depois rodeou-me com os seus braços, enquanto o público vaiava. Mais tarde no programa, entrámos num lowrider laranja e saímos do edifício. A Era do latino Heat tinha oficialmente começado!

Capitulo 29

Eddie dá-nos a conhecer melhor como surgiu e se desenvolveu o gimmick de Latino Heat, que o disparou para o sucesso, explicando melhor o seu relacionamento com Chyna, à medida que a sua carreira continua a evoluir na WWE.


“No princípio, o Latino Heat era o tipo que pensava ser o presente de Deus para as mulheres, apesar de na realidade não o ser. (…) Eu sabia que queria criar uma personagem que reflectisse a Raza, as minhas origens chicanas. (…) Tenho tanto orgulho da Raza. Tenho orgulho da minha cultura, dos lowriders, dos chicanics e da música Tejana. Eu sei quem somos. Eu conheço a verdade. Com o surgimento do Latino Heat, tinha finalmente chegado a altura de eu mostrar esse meu lado.”

“Eu e a Chyna aparecemos no Smackdown na noite seguinte, em San José, a conduzir um lowrider sensual, e depois entrámos no ringue para uma entrevista. “Porque fizeste o que fizeste, Mami?”, perguntei-lhe. “Eu não consegui resistir ao teu Latino Heat”, respondeu. (…) Nesse momento, o Y2J apareceu. Trocámos alguns socos e acabámos com ele a dar-me um powerbomb. Felizmente para o Chris, os árbitros acudiram ao ringue para nos separar antes que eu me pudesse vingar. Acabei por reter o meu título europeu – com a ajuda da Chyna – na semana seguinte, num combate contra Jericho. (…) “De forma a seres um bom líder”, costumava dizer o meu pai, “primeiro, tens de saber ser um bom seguidor.” Este foi um conselho sábio. Ao longo de toda a minha carreira, consegui criar heat para mim próprio ao ser um bom ajudante de alguém – primeiro para Hijo del Santo, depois Art Barr e depois, para a Chyna. O ângulo do Latino Heat e da Mamacita foi, para mim, muito satisfatório. (…) Eu queria que a equipa criativa se apercebesse que existiam várias formas para eles me utilizarem. Queria que eles soubessem que podia ser engraçado ou mau ou duro ou até carinhoso. Quanto mais pudesse fazer, mais oportunidades teria. Estava perfeitamente confortável com o facto do Latino Heat ser uma personagem cómica. Não tinha problemas em ser totalmente pateta. Fazer as pessoas rir não faz delas menos duras. (…) O wrestling move-se por uma linha muito fina. As pessoas confundem-se sobre o que é real e o que não é. A ideia de que existiam pessoas que pensavam que eu e a Chyna éramos um casal na vida real ainda hoje me surpreende. (…) É importante recordar o que é a realidade e o que não é. Eu tenho de aceitar o que realmente sou, de forma a conseguir interpretar a minha personagem.”
.

Eddie faz uma hurracarana a Dean Malenko.


“Sei que há histórias que circulam por aí e que comentam a má forma em que estava nesse período da minha vida. Há aí alguma verdade, mas eu quero deixar uma coisa perfeitamente clara – nunca fui menos do que profissional no que dizia respeito a esta indústria. Estava sempre perfeitamente funcional e capaz de entrar no ringue e ter um bom combate. A direcção não me teria tolerado, se assim não fosse. Mesmo assim, não estava a fazer muito wrestling sério durante esse período. O meu heat estava geralmente na Chyna. Ela era uma parte muito grande da imagem da WWE nessa altura, uma das maiores super-estrelas da Atitude Era. Eu sabia que ela era umas das principais atracções e eu tinha um papel secundário. A minha função era elevá-la. (…) Eu só fazia o meu papel, que era complementar a Chyna. Isso não era um problema para mim – sou muito bom a acentuar os pontos fortes das outras pessoas, sem me fazer parecer fraco. Após a nossa rivalidade com o Essa e a Lita, eu e a Chyna envolvemo-nos com o Perry e o Dean, o que resultou num combate Triple Threat, no Judgement Day, em Louisville. (…) Nenhum de nós se sentia especialmente confortável por fazer o Triple Threat. Decidir o que fazer com três pessoas no ringue pode ser difícil. É como assistir a um filme complicado – acontece tanta coisa que se torna difícil entender a história principal. Esse é o problema com os combates Triple Threat – às vezes, há demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo. Temos de garantir que espaçamos a acção. Não devemos dar demasiado, de uma só vez, à audiência, ou acabaremos por perdê-los. Hoje em dia, já me habituei aos combates de três pessoas, apesar de pessoalmente, não gostar muito deles. (…) Como se verificou, o do Judgement Day acabou por ser um combate bastante bom. Retive o meu título europeu quando a Chyna acertou no Saturn com o cinto e depois, esmagou um vaso de flores na cabeça de Malenko, o que me permitiu rolar o Dean para a contagem de três.”

“Joanie Laurer – que interpretava a personagem de Chyna – é uma pessoa muito simpática. No princípio, divertíamo-nos muito a trabalhar juntos. Infelizmente, ela começou a arcar com alguns problemas pessoais graves, e chegou a um ponto que começou a ser difícil lidar com ela. (…) Tive pena dela, mas também não queria meter o meu nariz onde não era chamado. Fiz o meu melhor para me manter neutro. Quando alguém tentasse falar comigo acerca dos problemas da Joanie, eu mantinha-me de boca fechada. Não me competia discutir a vida pessoal das outras pessoas. Para além disso, eu estava a ter grandes problemas na minha própria vida. Tenho a certeza que eu a stressava tanto, como ela me stressava a mim. (…) Decidimos que ambos seríamos mais felizes se nos separássemos, mas a direcção estava totalmente contra. No que lhes dizia respeito, Latino Heat e Mamacita eram uma combinação vencedora. (…) Perdi o título de campeão europeu para o Perry Saturn no Fully Loaded em Dallas, e depois comecei um programa com o campeão Intercontinental Val Venis e com a Trish Stratus, que nos levaria até ao Summerslam. Mick Foley – no seu papel de comissário Foley – declarou um combate misto pelo título Intercontinental, a acontecer no PPV. A estipulação era que, se eu ou a Chyna fizéssemos o pin, quer na Trish ou no Val, ganharíamos o campeonato. Claro, a Chyna acabou por se tornar a vencedora, a primeira campeã Intercontinental feminina de sempre. Sei que muitos rapazes teriam ficado frustrados com isso, ver uma mulher vencê-los por um dos títulos principais, mas eu não deixei que isso me afectasse. O meu trabalho era elevar a Chyna, de todas as formas possíveis. Se a Chyna não estivesse na ribalta, no final de um combate, eu não estava a fazer bem o meu trabalho. (…) Para ser honesto, não estava muito concentrado em mim próprio, nessa altura. As coisas na minha vida estavam a ficar tão bizarras, que a minha carreira estava basicamente a velocidade de cruzeiro.”

Capitulo 30

Eddie fala-nos mais sobre o caos pelo qual estava a passar o seu casamento, também prejudicado pela storyline que envolvia Eddie e Chyna no pequeno ecrã, e conta-nos ainda como foi importante vencer um titulo na Wrestlemania XVII.


“O ângulo com a Chyna não foi fácil para a Vickie. As pessoas iam ter com ela na rua e perguntavam-lhe como ela suportava que eu a traísse com a Chyna. Por amor de Deus, isso é simplesmente ridículo. (…) Foi muito difícil para a Vickie lidar com isso. Para mostrar o meu respeito por ela, fui rigoroso quanto a não haver qualquer contacto entre mim e a Chyna. Em todo o tempo que trabalhámos juntos, nunca a beijei, nem uma só vez. Muitos dos sentimentos da Vickie tinham a ver com a tensão que estava a acontecer no nosso casamento, nessa altura. O nosso relacionamento tinha se degenerado num caos total. Tudo o que fazíamos era discutir. (…) A Vickie, Deus abençoe o seu coração, fez o melhor que podia. Era difícil viver comigo. Mas, eventualmente, cheguei ao ponto onde ela já nem suportava mais estar perto de mim. (…) Um certo fim-de-semana, a Vickie estava com os miúdos em El Paso. Enquanto eles estavam fora, recebi um telefonema do meu irmão Hector. A meio do telefonema, eu simplesmente desmaiei. O Hector ficou preocupado e telefonou à polícia para ir lá a casa ver se eu estava bem. Acordei com um polícia a bater na porta das traseiras, com a sua lanterna apontada à janela para ver se eu estava vivo. Era assim que eu vivia. Estava sempre bêbedo. Estava a tentar matar a dor, apesar de não conseguir descobrir de onde vinha essa dor. Estava insatisfeito com a vida. Simplesmente não era feliz. Havia um vazio dentro de mim. Independentemente do que fizesse, nada conseguia preencher o vazio no meu coração. Nem álcool, nem comprimidos, nem sequer a minha família. As únicas vezes que me sentia vivo era quando estava dentro do ringue. (…) Wrestling é a parte fácil da minha vida. Quando a campainha toca, torno-me uma pessoa diferente. Acontece-me o mesmo até ao dia de hoje – eu passo por aquela cortina e sou outra pessoa. Todos os meus problemas desaparecem.”
.

Eddie e Vickie Guerrero.


“Nesses dias, o Raw ainda passava no USA network. Todos os Verões, o USA transmitia o torneio do US Open de Ténis, forçando o Raw a ir para o ar, ao vivo, às 11 da noite, durante duas semanas seguidas. Isso era muito difícil para mim. O meu corpo estava preparado para funcionar a uma certa hora do dia, e ter de lutar à meia-noite deixava-me realmente mal. (…) Nessa noite, eu e a Chyna fomos envolvidos na principal história da altura, a novela sem fim entre Triple H, Stephanie McMahon e Kurt Angle. O lado bom é que eu estava marcado para lutar contra o Triple H. Indo directo ao assunto, não foi um grande combate. Fiquei tão desiludido comigo mesmo. Ali estava, a chance de trabalhar com Triple H, um dos melhores wrestlers do mundo, e eu não tive o que era preciso para lhe dar o meu coração. Isso forçou-me a olhar profundamente para mim próprio. Apercebi-me que o meu corpo e mente simplesmente não estavam em condições. Quando somos viciados em drogas e álcool, não há como evitar que isso nos afecte fisicamente. Acho que foi por volta dessa altura que a direcção começou a desconfiar que se passava algo comigo. (…) Penso que os meus problemas eram um livro aberto para toda a empresa. Todos sabiam, mas ninguém queria falar sobre isso. Na semana seguinte, no Raw, o comissário Foley marcou um Triple Threat entre mim, a Chyna e o Kurt, com o título Intercontinental em jogo. O combate acabou com o Kurt a acertar na Chyna com o título. Eu fiz-lhe um dropkick, seguido por um Suplex para fora do ringue. A Chyna estava deitada no meio do ringue, por isso fui ver como ela estava. Quando me debrucei em cima dela e a abracei, o árbitro Jack Doan viu-me em cima dela e contou 1-2-3, tornando-me o novo campeão Intercontinental. (…) Eu tentei devolver-lhe o título, dizendo, “Mami, tu és tudo para mim! Este cinto não significa nada comparado com o que tu significas para mim. És o mundo! Eres todo! És tudo, prometo! Por favor, perdoa-me!”. “De qualquer maneira, tu merece-lo mais do que eu”, disse a Chyna. À medida que nos abraçávamos, mostraram-me a sorrir por cima do seu ombro, deixando a audiência saber que eu, na realidade, estava bastante contente por ser campeão Intercontinental. Este foi um momento significativo para o Latino Heat. Foi o que começou a afastar o meu personagem de ser apenas o companheiro secundário da Chyna, para começar a receber um pouco de glória, para mim próprio. Apesar de ter aprendido, ao longo da minha carreira, que os títulos não são assim tão importantes, ganhar este título intercontinental foi muito entusiasmante. É um título transicional, que ajuda o wrestler a passar de um nível para o outro. Também significa que estás a um passo de distância de ser campeão da WWE.”

“O Latino Heat começou a tornar-se cada vez mais heel, o que me agradou bastante. Eu tentei solucionar as coisas com a Chyna, propondo-a em casamento. O publico estava completamente contra. Começaram a gritar, “Diz não!”. A Chyna aceitou a minha proposta de casamento, o que deu início ao fim da nossa relação televisiva. De uma forma estranha, esta história reflectia o meu casamento de verdade, com o meu comportamento a tornar-se cada vez mais errático, e a Chyna a ficar farta das minhas mentiras e instabilidade. Estávamos no meio de um combate contra o Val Venis e o Godfather, dos Right To Censor, quando um vídeo começou a passar no titatron, com imagens minhas a sair de um chuveiro. “Mantém-no quente, querida”, disse. “Eu já volto!” Então, uma das ex-“hos” do Godfather – que mais tarde se tornou campeã feminina da WWE, a Victoria – espreitou por trás da cortina: “Eu quero o Eddie Guerrero!” Na outra ponta da cortina, Mandy – outra antiga “ho” – apareceu pelo outro lado: “Adeus, Eddie!” Nem preciso dizer que a Chyna não ficou contente. No entanto, o público parecia estar bastante divertido – dedicaram-me um cântico totalmente babyface, “Eddie! Eddie! Eddie!”.”

“Apesar de sair muito à noite, eu não andava atrás de miúdas. Os meus casos eram com as drogas e o álcool, não com mulheres. Eu não sou o tipo de pessoa que atraia mulheres para si próprio. E também não sou lá muito bom a ir atrás delas. Mais do que isso, eu estava muito feliz com o que tinha em casa. Nenhuma outra mulher me excitava ou me dava tanto prazer como a minha. Fiquei muito nervoso quando me disseram que tinha de entrar no chuveiro com duas mulheres lindas, principalmente pelo que estava a acontecer entre mim e a Vickie. Sabia que isto não ia tornar nada mais fácil. A primeira coisa que fiz foi telefonar para casa e dizer à Vickie o que ia acontecer. Perguntei-lhe, “Não te importas com isto?” (…) Deus a abençoe, ela apoiava-me muito. “Sim, eu percebo que é só trabalho,”, dizia-me. Apesar da Vickie perceber que era só para a televisão, havia tanto stress nas nossas vidas que ter esta pequena pressão extra, apenas somou ao caos. Os nossos vizinhos, as pessoas da nossa igreja, iam ter com ela e diziam, “Viste o que o Eddie fez? Não posso acreditar que ele fez aquilo!”. (…) Deixou-me mesmo irado. Primeiro, as pessoas dizem que o wrestling é falso, o que insulta a minha profissão e a forma como sustento a minha família. Depois, dão a volta e agem como se acreditassem piamente naquilo que acontece no programa. Onde é que está o bom senso? Sou preso por ter cão e preso por não ter! As coisas ficaram ainda piores na semana seguinte. Tive de beijar a Miss Kitty, que estava vestida como a Chyna – a Chynette, como lhe chamavam. Essa foi a primeira e a ultima vez que beijei uma outra mulher na TV. Esta situação acabou mesmo por criar muitos problemas em casa. O problema não era que eu estivesse a beijar outra pessoa. (…) Era mais devido ao facto de que ela já não tinha fé nenhuma em mim. Tinha-lhe mentido tantas vezes, como é que ela podia acreditar em alguma coisa do que eu dizia? Tinha-lhe mentido, porque não queria meter-me em sarilhos, ou porque ela não percebia que eu tinha de fazer o que as drogas precisassem. Eu não fazia aquelas coisas para a magoar – eu estava doente. Eu estava a fazer o que precisava para sobreviver. (…) Mas qualquer pessoa com a doença do vício irá perceber do que estou a falar. Nós fazemos o que for preciso para alimentar o nosso vício, memo apesar de, no fundo, sabermos que estamos a magoar e a enganar as pessoas de quem mais gostamos.”
.

Eddie, num dos seus habituais Lowriders.


“Os Radicalz reuniram-se para o Survivor Series. (…) Foi bom voltar a trabalhar com aqueles rapazes, ainda que só por um bocadinho. Uma coisa acerca do Dean, do Chris e do Perry – no que dizia respeito ao trabalho, era sempre um prazer estar no ringue com eles. Tivemos um combate no Raw, os Radicalz contra o Billy, a Chyna, o Rock e o Stone Cold Steve Austin. Terminou com o Stone Cold a atacar-me, o que originou o nosso combate a solo, no Smackdown da noite seguinte! Eu conheci o Steve pela primeira vez no Japão, mesmo antes dele ser despedido pela WCW. Bebemos uns copos juntos e eu gostei muito dele. Achei que era uma pessoa tremenda. Não importa o nível de sucesso que atingiu, ele sempre me tratou bem. Ter a oportunidade de trabalhar com alguém do seu calibre ou do Rock é sempre entusiasmante e uma grande honra. Fazia-me sentir que, apesar de quão desorientada estivesse a minha vida pessoal, ainda era levado em grande consideração profissionalmente. Perdi o título Intercontinental para o Billy Gunn em Novembro. Quando as férias de natal chegaram, tirei umas semanas de folga bem merecidas. (…) Regressei à acção em Fevereiro e envolvi-me imediatamente num programa com o Chris Jericho, pelo título Intercontinental. Isso conduziu-nos a um Fatal 4-way no No Way Out – eu, o Jericho, o X-Pac e o Chris Benoit. Se os Triple Threat são difíceis, então os Fatal 4-ways são quase impossíveis. Nós os 4 não tínhamos ideia de como fazer o combate resultar. Simplesmente não sabíamos como demonstrar a psicologia do combate. Estávamos completamente desnorteados, tipo, “Como é que resolvemos isto?” (…) Considerando tudo, acabou por ser um combate muito bom e bastante rápido. Felizmente, nós os quatro sentíamo-nos confortáveis a lutar uns contra os outros. Havia entre nós uma boa química, o que nos permitiu fazê-lo sem grandes problemas.”

“Wrestlemania 17 – no Astrodome de Houston – foi um evento muito melhor do que a Wrestlemania anterior. Tive a oportunidade de lutar contra o Test, com o título europeu em jogo. Porque era um combate a solo, significou muito mais para mim a nível pessoal. Deram-nos um bom tempo, 8 minutos ou algo assim, o que me senti agradecido por ter. (…) No final, o Perry e o Dean interferiram, dando-me a chance de acertar com o título na cabeça do Test e conseguir o pin. Ganhar um título – qualquer titulo – numa Wrestlemania é especial. Toda a gente está a assistir e é garantido que é algo que ficará para os anais da História. Ganhar o título europeu na Wrestlemania foi como uma recompensa, uma palmadinha nas costas. Essa foi uma boa semana. A Vickie juntou-se a mim, em Houston, e passámos excelentes momentos juntos. (…) Claro, eu continuava a sair muito à noite, mas era bom tê-la junto a mim desta vez. Era muito confortável, nós os dois a bebermos umas cervejas e a partilhar umas risadas. Eu prometi à Vickie, “Depois da Wrestlemania, eu vou abrandar nas drogas e na bebida”. Ela estava ansiosa por isso. (…) Eu estava a ser sincero. Eu queria parar o que estava a fazer. Queria mesmo. Abrandei na bebida durante alguns meses, mas passado um tempo, estava novamente a sair mais do que nunca. Eventualmente cheguei a um ponto onde desisti de tentar ficar sóbrio. Tinha-me aceite. “É assim que eu sou”, pensei. “Não há nada que eu possa fazer para mudar isso.”


Capitulo 31

Eddie fala-nos dos momentos difíceis que levaram a que Vickie pedisse o divórcio e conta-nos algumas histórias que acabaram por colocar as gotas finais num casamento tão problemático, ao mesmo tempo que se debatia com o seu vicio, cada vez mais fora de controlo.


“Precisamos falar”, disse-me um dia a Vickie, quando tinha acabado de chegar de viagem. Ela sentou-me e disse-me que não aguentava mais viver comigo e queria o divórcio. Eu implorei-lhe que ficasse comigo. “Não desistas”, suplicava. “Vamos resolver isto”. Mas ela tinha passado pelo suficiente. O meu comportamento atingiu um nível de toxicidade que finalmente tinha conseguido envenená-la contra mim. Não era apenas a Vickie que tinha problemas com o meu comportamento. Os meus amigos também começavam a preocupar-se. (…) Eu estava constantemente de ressaca, a minha atitude estava cada vez mais negativa. Eu não era eu próprio, e as pessoas começavam a notá-lo. Eu, o Dean, o Chris e o Perry tínhamos viajado sempre juntos, durante os nossos primeiros meses na WWE. Passado um tempo, decidimos separar-nos. 4 tipos num carro pode ser muito duro, para além disso, o Dean e o Perry tinham-se fartado de tomar conta de mim. Eu e o Chris continuámos a conduzir juntos. Deus o abençoe, ele sempre olhou por mim. É um amigo tão bom. Ele conduzia quase sempre, principalmente porque tinha tanto medo que eu adormecesse ao volante. (…) Nas raras ocasiões em que acabava por guiar, o Chris não dormia para que pudesse ficar sempre de olho em mim. (…) O Chris deu-me tanto amor, mas eu aprendi que isso não é necessariamente uma coisa boa. As pessoas que tomavam conta de mim não o sabiam, mas estavam a encorajar-me a continuar. Estavam a resgatar-me das consequências do meu vício. De certa forma, isso só apoiava o meu comportamento disfuncional. (…) Eles acreditavam no fundo dos seus corações que estavam a cuidar de mim. Mas ao protegerem-me, permitiam-me continuar a agir de forma auto-destrutiva. Com o meu alcoolismo e uso de drogas a perder o controlo, o Chris e o Dean falaram entre si e decidiram que a única forma de me ajudarem era intervindo. (…) Eles não sabiam o que fazer – só sabiam que tinham de fazer alguma coisa. Decidiram falar com o Jim Ross, e explicarem-lhe os seus receios. Não estavam a fazer queixinhas ao patrão – estavam genuinamente preocupados com a minha saúde e a minha segurança. (…) Eu apenas soube que eles tinham ido falar com o JR, quando vi o especial da UPN sobre a minha vida. Não fazia ideia que eles tinham feito isso. Vou ser honesto, magoou-me muito. Não tanto por eles terem achado necessário falar com o JR, mas por, mesmo depois de ter ficado sóbrio, nunca me terem chegado a contar. Quando falei com o Dean acerca disto, ele contou-me porque acharam que deviam fazer o que fizeram. “Eu não seria capaz de viver comigo próprio se algum destes dias te viesse a encontrar morto num quarto de hotel”, disse-me. “E não tenho qualquer dúvida de que estavas a caminho disso.”
.

Eddie vence o seu combate na WM 17, com a ajuda dos Radicalz.


“Começou como qualquer outro dia. Entrei no edifício e mesmo antes de conseguir chegar ao balneário, disseram-me que o JR queria reunir-se comigo e com o Bruce Pritchard. Bruce era um dos tipos principais do Departamento de Relações e Talentos. Ambos me disseram que estavam muito preocupados. “Não estamos aqui para te julgar”, disse o JR. “Estamos aqui para te ajudar”. Eu fiquei furioso. (…) Tinha dito a mim próprio que os comprimidos eram só para me ajudar nas minhas lesões, mas a verdade é que a dor que eu estava a tentar eliminar era mental. Se tomasse um comprimido, então não me sentiria triste por não estar perto da minha família, por o meu casamento estar a desabar, por as minhas filhas mal me conhecerem. Ter uma lesão apenas me permitia justificar o meu vício. A minha reunião com o Jr e o Bruce não me fez repensar os meus maus hábitos. Eu ainda não tinha confrontado o meu vício. Em vez disso, levei as palavras deles como uma ameaça – Atina-te ou vais para a rua. Uma semana depois, todo o meu mundo se desmoronou. (…) Eu tinha tido uma semana especialmente dura. Fiquei sem comprimidos e estava a começar a ressacar fortemente. Não importava o quanto bebia, nada ajudava. Telefonei para todas as minhas ligações, mas não consegui nada. Eu sabia que uma das amigas da Vickie tinha alguma codeína e algum Valium, por isso telefonei-lhe e implorei-lhe que me desse alguns comprimidos. “Por favor, não digas à Vickie”, pedi-lhe. “Vou arranjar muitos problemas se ela souber que vim aqui buscar comprimidos.” “Não te preocupes, Eddie. Eu não direi nada.” Claro, assim que me fui embora, ela meteu-se no telefone. Foi tudo o que foi preciso para as coisas entre mim e a Vickie piorarem de vez. (…) Nem é preciso dizer, tivemos uma briga enorme. Eu fui para o meu quarto, tomei uma mão cheia de comprimidos com uma bebida forte e apaguei-me completamente. Na manhã seguinte, eu literalmente não me conseguia levantar. Apesar da Vickie estar zangada comigo, ela continuava a pensar responsavelmente. Fez as minhas malas para o programa, tirou-me da cama e levou-me ao aeroporto. Deus, eu estava uma desgraça. Mal conseguia pôr-me de pé. (…) Na realidade, acabei por cair nas escadas rolantes, torci o meu tornozelo e arranhei o meu ombro todo, durante o processo. (…) Acabei por perder o meu voo para Minneapolis. (…) Afortunadamente, eu conhecia algumas pessoas naquela companhia aérea e eles trabalharam com a Vickie para me conseguir outro voo. A Vickie mal falava comigo durante tudo isto. (…) Quatro horas depois, a assistente de voo acordou-me e colocou-me no avião. Quando aterrámos em Minneapolis, eu continuava todo desgraçado. “Põe-te bem, Eddie”, dizia para mim próprio. “Não podes ir trabalhar desta maneira.” Quando cheguei ao edifício, eu parecia e sentia-me uma bela merda.”

“Claro, a palavra espalhou-se de que eu estava uma desgraça. O Chris e o Dean vieram para acalmar os ânimos com o Jr, mas não havia nada que eles pudessem fazer. JR é um homem bom e compassivo, mas é também um homem de negócios. Ele disse-me que eu tinha uma hipótese: ou ia para a reabilitação, ou era despedido. Fiquei com tanto medo de não conseguir sustentar mais a minha família. “Ok”, disse. “Sim. Não há problema. Eu vou para a reabilitação”. JR disse-me que a direcção trataria de tudo. Iriam colocar-me no melhor centro de tratamento de toxicodependência do país – O Campus de Recuperação Tallbott, em Atlanta. Mas eu não queria ir para Tallbott. Não só ficava muito longe de casa, como eu sabia que era um programa muito longo. Eu queria fazer o programa de 28 dias, na Florida, para poder ficar perto da Vickie e das miúdas. Comecei a chorar e a dizer, “Não quero estar longe das minhas filhas durante quatro meses”. “Desculpa Eddie, mas nós temos de te enviar para Tallbott. É o melhor”. “Por favor”, solucei, “Estou a tentar manter a minha família unida. A minha mulher está a divorciar-se de mim”. “Bom, não achas que ela tem razões para isso?”, disse o JR. “Tu não passas de um maldito drogado.” Aquela foi a coisa mais dolorosa que alguma vez alguém me tinha dito. A razão pela qual magoava tanto é porque eu sabia que era verdade. Ainda estava em mau estado quando regressei à Florida. Quando telefonei à Vickie para lhe contar acerca do que tinha acontecido com o JR, ela disse-me para não ir para casa. A cena no aeroporto tinha sido a ultima gota. Ela tinha aguentado até ao máximo que podia, mas já não dava para mais. (…) Eu fiquei ali, no aeroporto de Tampa, a sentir-me mais sozinho do que alguma vez me tinha sentido. Foi facilmente um dos dias mais duros da minha vida. Cinco dias depois, as coisas ficariam ainda piores.”
.

Eddie Guerrero e Chris Benoit, um dos seus melhores amigos.


Capitulo 32

Eddie conta-nos ao pormenor como foi passar quatro meses numa clínica de reabilitação, longe da sua família e do seu trabalho e explica-nos as dificuldades pelas quais passou para enfrentar os seus próprios demónios.

“O Campus de Recuperação Tallbott (TRC) é uma das instalações de reabilitação líderes, no mundo. TRC trata a dependência química como uma doença crónica e reincidente, que afecta as pessoas a vários níveis – física, emocional, social, e espiritualmente. É considerado o principal centro de tratamentos para profissionais viciados, tais como advogados, homens de negócio e médicos. As pessoas em Tallbott eram muito lindas. Tão generosas e amáveis. Eles trabalhavam lá porque queriam genuinamente ajudar. (…) Quanto aos outros pacientes, era como em qualquer outro lado – havia lá pessoas que eu adorava, pessoas que eu não suportava, pessoas que eu sabia estarem cheias de tretas. Vinham de todos os ramos da vida. A doença do vício não discrimina. Havia médicos e advogados, atletas e donas de casa. Havia inclusive alguns terapeutas que estavam eles próprios, doentes. A primeira coisa que nos fazem, depois de dares entrada em Tallbott, é uma desintoxicação completa. Eles não te podem ajudar até o teu corpo estar completamente limpo de drogas e álcool. É como estar num hospital. Há lá médicos e enfermeiros que te mantêm debaixo de olho, verificam o teu fluxo sanguíneo para garantir que não tens um ataque de coração, enquanto estás dentro daquele processo. A maior parte das pessoas não se apercebe, mas desistir de tomar drogas e álcool pode ser muito perigoso. Se não formos cuidadosos, podemos morrer do choque. A desintoxicação foi umas das experiências mais assustadoras e dolorosas da minha vida, quer física, quer emocionalmente. Acabei por verificar que a dor mental era muito mais difícil de suportar, que a dor física. (…) Após a desintoxicação, transferiram-me para o lado do campus destinado à reabilitação. (…) A partir dessa altura, eu trabalhei a todas as horas com uma equipa de cinco terapeutas, liderados por um homem maravilhoso, chamado Jim Weigel. Deus abençoe a sua alma, ainda falo com ele, hoje em dia.”

“Mais do que qualquer outra coisa, TRC lembrava-me o colégio. Disseram-me que eu precisava de uma educação, para que pudesse compreender e aceitar totalmente o que estava a acontecer na minha vida. (…) O que eu vim a perceber é que o alcoolismo é uma coisa muito séria. Os alcoólicos, como eu, não conseguem processar a bebida da mesma forma que as outras pessoas conseguem. Muda a nossa química e o nosso comportamento. Deforma o nosso poder de decisão. Torna-nos quimicamente loucos. Não conseguimos tomar decisões racionais. (…) A equipa do TRC fez um excelente trabalho ao ensinar-me aquilo que eu estava a combater, tornando-me conhecedor sobre o que me estava a acontecer. Antes disso, posso honestamente dizer que não fazia a mais pequena ideia. (…) Grande parte do meu tempo, era passado em sessões de terapia muito intensas. Era a primeira vez que eu fazia terapia, e nada me poderia ter preparado para o quão difícil seria. Não é nenhuma piada – terapia foi uma das coisas mais difíceis que eu já fiz na minha vida. Eu odiava a terapia. Bem no fundo, eu não queria mudar. Eu queria que a dor parasse, mas não queria deixar de festejar. Queria que o caos parasse, mas não queria parar de beber. Eu queria o melhor dos dois mundos. (…) A reabilitação é como uma viagem emocional de montanha russa, com imensas subidas e descidas. Descobrimos coisas acerca de nós próprios que não queremos aceitar. Basicamente, tudo o que fazemos é olhar para nós próprios. Isso é terapia. Não oferece uma cura milagrosa. Dá-te as ferramentas necessárias para consertares o que estiver de errado contigo.”


“Uma das coisas mais difíceis que tive de fazer na TRC foi pedir à minha família para me escrever cartas, a descrever como era estar perto de mim. Era uma forma de me fazerem aperceber o quão feio tinha sido o meu comportamento, e como esse comportamento tinha afectado os outros. Era importante que eles fossem completamente honestos, por muito difícil que fosse para mim aguentar. Basicamente, estava a dar a toda a gente permissão para me dizer o quanto eu era um falhado, como tinha sido um pesadelo estar perto de mim, como tinha feitos as suas vidas miseráveis. (…) Obviamente, pedi à Vickie para me escrever, apesar de, Deus me ajude, quase desejei não o ter feito. Também pedi à minha mãe e aos meus irmãos e irmãs. Deus a abençoe, a minha mãe não conseguiu fazê-lo. Ela não conseguia expressar a sua dor, tristeza e desilusão, relativamente a mim. Por outro lado, os meus irmãos e irmãs deram-me bem a valer. As cartas mais difíceis de suportar foram as que as minhas meninas me escreveram. Doeu tanto, ouvir o que aquelas duas lindas raparigas pensavam de mim. Disseram que me amavam, mas que durante todas as suas vidas, viveram com medo de mim. Essa é uma coisa terrível para um pai ouvir – que as suas crianças o temem. (…) Essas cartas foram como uma chamada de atenção, um grande soco na cara que me fez ver as coisas mais claramente. Ajudaram-me a olhar para mim próprio e ver o que tinha feito às pessoas que mais amava. Eu honestamente não sabia nenhuma daquelas coisas. Era como se eu estivesse cego, relativamente ao que estava a acontecer à minha volta. (…) É quase como uma constipação – eventualmente, todos à tua volta acabarão por ficar doentes. Foi exactamente isso que aconteceu.”
.

Eddie Guerrero, com as filhas.


“Muita da minha terapia lidava com a minha infância, a minha relação com os meus pais. Posso honestamente dizer que tive uma infância maravilhosa. Havia tanto amor na minha casa. O que comecei a entender é que, toda a minha vida, eu tinha estado à frente dos holofotes. Eu era o filho de Gory Guerrero. Era o irmão de Chavo Guerrero. Era o irmão de Mando Guerrero. Eu era o irmão de Hector Guerrero. Havia muita pressão para corresponder ao legado que eles tinham criado. (…) Desde o momento em que saí do ventre da minha mãe, tudo tem sido sobre wrestling. Sempre me identifiquei com o wrestling – a razão pela qual sou tão bom é porque isso é tudo o que conheço. Sempre fui péssimo a viver a vida porque nunca soube como o fazer. (…) Independentemente do que aconteça na nossa vida, a responsabilidade final pelas nossas decisões é nossa. Nunca devemos culpar ninguém pelas nossas escolhas. (…) A terapia ajudou-me a confrontar os meus problemas. Eu não sabia como olhar para dentro de mim e ver aquilo pelo qual estava a passar, o que estava a viver. Estava a viver com uma quantidade enorme de stress, e as drogas e o álcool ajudavam a aliviar a dor. Mas não me ajudavam a lidar com a pressão. Tudo o que faziam era esconder a dor. Assim que comecei a perceber os meus problemas, fui capaz de lidar com eles. (…) Quando confrontamos um problema, podemos cair de rabo no chão, pode deitar-nos abaixo algumas vezes, mas, mais cedo ou mais tarde, Deus dar-te-á a força e a sabedoria para ultrapassá-lo. É por isso que eu adoro tanto Deus. Foi só através de O conhecer, através do Seu poder e da Sua graça, que fui capaz de aprender a viver comigo próprio. De certa forma, ainda não me perdoei totalmente. Mas apenas através da sabedoria que encontro em Deus e na bíblia, posso encontrar a força para ultrapassar as adversidades da minha vida.”

“Foi um longo verão, talvez o mais longo da minha vida. Houve alturas em que senti que nuca mais iria sair dali, que ficaria enclausurado naquela prisão para sempre. Não que tivesse alguma coisa a ver com uma prisão – era até bastante agradável. Mas de muitas formas, parecia que estava a servir uma pena perpétua ali dentro. Julguei que nunca mais veria a minha família. Tentei manter a minha esperança viva. A principal coisa que me mantinha vivo era a ideia de que, se eu conseguisse passar por aquilo, talvez tivesse uma oportunidade de resolver as coisas com a Vickie. (…) Eu não queria perder a minha família. Claro, não me apercebi de que já o tinha feito. Tudo em que pensava, era em sair dali. Desde que ali cheguei até ao dia em que saí, a única coisa que me importava era ir embora.”

“Apesar de ser permitido fazer chamadas para o exterior, eu praticamente cortei relações com o mundo, durante a minha estadia em Tallbott. Falava com as pessoas – tipo, os meus irmãos e alguns amigos – quando elas me telefonavam, mas nunca telefonei a ninguém. Tinha muita vergonha em estar ali. (…) Numa manhã de Setembro, estava entre aulas e parei junto à sala comum. Estavam a dar umas imagens loucas na televisão, com as torres gémeas em chamas. Eu pensei que fosse um filme, não tinha percebido exactamente o que estava a acontecer. Toda a gente começou a passar-se, a dizer que queria sair dali, que tinha de ir para casa. (…) O pessoal médico reuniu toda a gente e acalmou-nos. “Ninguém vai para casa”, disseram-nos. Os terapeutas tiveram o cuidado em não deixar que a tragédia distraísse as pessoas dos seus problemas pessoais. Como toda a gente, estávamos em estado de choque. (…) Telefonei à Vickie para garantir que estavam todos bem. Ela foi muito fria comigo. A sua raiva ainda não tinha desaparecido, durante o tempo em que estive em Tallbott. Disse-me que as crianças estavam bem e desligou o telefone, o mais depressa que pôde.”

“As coisas progrediram durante o curso da minha estadia. Comecei a ganhar um pouco mais de liberdade. (…) Passados uns dois meses, fui recompensado com o primeiro de dois fins-de-semana, fora do campus Tallbott. Por muito que eu quisesse sair de lá, quando chegou o momento de atravessar aquele portão, eu estava aterrorizado. É fácil manter-se limpo na reabilitação. Mas quando chegamos ao mundo real, todos os nossos velhos hábitos voltam à superfície. Depende de nós, usar aquilo que aprendemos na reabilitação e controlar os nossos impulsos. Foi um completo choque para o meu sistema, sair de um sítio onde estava a ser educado sobre a minha doença, onde todos me apoiavam e me amavam, directamente para a dura luz do mundo real. O mundo real não quer saber de ti. A sociedade não queria saber se eu tinha uma doença. No mundo real, eu era um drogado e um bêbado.”
.

Sherilynn e Shaul.


“A reabilitação foi a primeira vez em toda a minha vida que comecei a viver com as minhas emoções, em vez de tentar adormecê-las com drogas e álcool. (…) Houve um momento, para o fim da minha estadia, onde comecei a sentir-me agradecido pela experiência. Comecei realmente a acreditar que seria capaz de o fazer, seria capaz de levar uma vida sóbria. Mas quando chegou finalmente a altura de sair, estava mais assustado do que alguma vez tinha estado. Tinha passado quatro meses a sonhar com o dia em que sairia dali e quando esse dia finalmente chegou, não queria sair. (…) Estava tão assustado. Não sabia se seria capaz de fazer o meu trabalho e manter-me sóbrio. Não acreditava que fosse capaz. A reabilitação ensinou-me muito acerca de mim próprio. Ensinou-me muito sobre o que eu precisava fazer para me manter sóbrio. É importante que entendam – a reabilitação não te faz ficar sóbrio. Se há algo que ensinam lá dentro, é isso mesmo. A reabilitação não te mantém limpo. Tudo o que faz é dar-te um pilar para que te mantenhas sóbrio. (…) Infelizmente, foi apenas muito mais tarde que estas ideias começaram a entrar na minha cabeça. Apesar de todo o meu trabalho duro, quando saí de Tallbott, ainda não tinha reconhecido totalmente a verdade.”

.

in Guerrero, Eddie,
“Cheating Death, Stealing Life,
The Eddie Guerrero Story”,
Pág. 199 - 246.
(Tradução livre de Rute)

.................