Fica aqui a da semana passada e a geral, respectivamente.
VENCEDOR (10 PONTOS) - "Cena a demonstrar o seu interesse por The Rock", de Cell
Segundo colocado (7 pontos) - "I drool to The Rock's candy ass!", de Dom Ricardo Corleone
Terceiro colocado (5 pontos) - "John Cena: never give up, always spit up", de Kamisas
Fica a imagem em especial de Halloween, vinda diretamente da festa de despedida da Maryse, com seu namorado, The Miz. SHE IS AWEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEESOME!


Eddie conta-nos mais sobre a sua carreira no México e o que mudou, após começar a ser convidado para visitar regularmente o Japão.
“Eu regressei do Japão mais concentrado e impulsionado do que alguma vez tinha estado. A experiência tinha mesmo elevado a minha confiança. De repente, as portas começaram a abrir-se para mim. No México, é muito importante ter trabalhado no Japão. Diz a toda a gente, “Ei, este tipo deve ser bom.” (…) A primeira pessoa a procurar-me foi Carlos Maynes, da Universal Wrestling Association. UWA era uma promoção independente que competia com a EMLL. Eles tinham uma boa relação com a New Japan, e tinha-lhes chegado a informação de que valia a pena contratarem-me.”
“Entretanto, a indústria do wrestling, no México, estava a passar por grandes mudanças. António Peña, o principal “booker” da EMLL, queria modernizar a lucha libre dando mais importância ao talento jovem e incorporando ângulos que fossem mais como o wrestling americano. Mas o dono da EMLL, Paco Alonso, estava muito preocupado com a história da companhia e deitava continuamente abaixo as ideias de Peña. Em 1993, Peña decidiu afastar-se e formar a sua própria promoção. Levou consigo algumas das estrelas mais importantes da EMLL, como Konnan, Blue Panther e El Hijo del Santo, juntamente com alguns trabalhadores jovens como Rey Mistério Jr. e iniciou a AAA - Asistência Asesoria y Administración. AAA era moderna, como a WWE, com ângulos loucos e grandes produções finais. Nem preciso dizer, foi um grande sucesso.”
“No fim, o que contou foi o dinheiro. Javier ofereceu-me 500 dólares a mais por semana, do que estava a receber de Maynes. O facto do meu primo ser “booker” na EMLL, definitivamente influenciou a minha decisão. Eu não confiava totalmente na EMLL, mas pensei que, com Javier como “booker”, eu conseguiria um bom lugar”.
“O que eles me arranjaram foi o Máscara Mágica. Eu sabia que estava em sarilhos no segundo em que me disseram que seria babyface e trabalharia mascarado. Não é que houvesse muito a dizer sobre este ângulo – basicamente, a máscara era supostamente mágica. Só isso. Não sei em que raio estavam eles a pensar. Ser o Máscara Mágica não foi muito divertido. Não só odiava usar a máscara, como me sentia preso a um lugar de midcard. Apesar das promessas de Javier, eu estava na mesma posição de quando era Eddy Guerrero. Entretanto, António Peña e a sua estrela de topo, o meu velho amigo Konnan, continuavam a telefonar-me. “Tu não precisas dessa máscara, meu”, dizia Konnan. “Vem trabalhar connosco”. Eu fui ter com Paco Alonso e contei-lhe as minhas inquietações. Disse-lhe que a AAA estava a fazer-me uma oferta. “Você fez-me várias promessas”, disse. “Como é que vai ser?”. “Desculpa, Eddy,” disse ele, “mas eu não te posso dar mais dinheiro”. Ele foi tão directo acerca disto, como se não houvesse nada mais a discutir. (…) Paco actuou como se não se importasse. “Como queiras”, pensei. “Se tu não queres saber, eu também não”.
“Uma semana depois, o Máscara Mágica apareceu num evento da AAA, tal como Scott Hall fez na WCW, uns anos mais tarde. O público estava chocado à medida que eu entrava no ringue. “Sou filho de Gory Guerrero”, disse. “Não preciso de esconder a minha identidade por baixo de uma máscara”. Tirei a máscara da minha cara e atirei-a para o público. “Tomem! Aqui têm a vossa máscara!”. Os fãs ficaram loucos. Nunca antes alguém tinha feito algo assim. A tradição da Lucha conta que a única forma de um wrestler tirar a sua máscara é se a perder num combate. Provavelmente, poderia ter feito muito dinheiro se aceitasse perdê-la num combate, mas eu não queria saber de dinheiro – isto era acerca do meu orgulho. (…) A EMLL feriu a minha carreira ao prometer-me o mundo, para depois me manter debaixo de uma máscara e num lugar de midcard. Eu fiz a coisa certa enquanto pude. Trabalhei com o gimmick deles, vendi o seu produto, e não ganhei nada com isso. Cheguei ao ponto onde bastava. Eu tinha de cuidar de mim.”
“Apesar de ter cometido um acto bastante “heel”, ao retirar a minha própria máscara, os fãs responderam ao meu acto de rebeldia com tanto entusiasmo que eu me tornei um babyface total. AAA aproveitou-se da minha popularidade e rapidamente juntou-me ao maior babyface da promoção, El Hijo del Santo, como o novo Par Atómico. Nós éramos bastante populares, porque os nossos pais eram tão adorados no México. (…) O facto de sermos filhos de duas lendas do Wrestling criou definitivamente uma ligação forte entre mim e Santo. Há poucas pessoas que tenham a experiência que nós compartilhávamos, sermos filhos de um campeão.”
“As pessoas adoravam El Hijo del Santo. Ele tem tanto carisma natural e talento que, em toda a sua carreira, nunca conseguiu trabalhar como heel. Ter o Santo no nosso plantel foi uma das razões que ajudou a dar prestígio à AAA. Quando começámos a fazer equipa juntos, eu sabia que teria de dar provas do meu talento. Eu tinha de deixar a minha própria marca, tinha de fazer a minha própria história. Eu sabia que nunca poderia igualar a popularidade de Hijo del Santo, por isso, não valia a pena ir lá para fora e tentar ser mais do que ele. Lembrei-me do conselho do meu pai, para conhecer as minhas próprias forças e lembrar-me da minha posição. Foi exactamente o que fiz. Eu era o burro de carga, enquanto Santo era o “entertainer”, o tal com todo o carisma. Os nosso estilos mesclavam-se perfeitamente, e nós éramos uma excelente tag team. (…) Como o novo Par Atómico, éramos uma das maiores tag teams babyface em todo o México. Mas tenho de ser honesto – nós éramos populares apenas porque Santo era tão popular. (…) Eventualmente, ganhei o respeito dos fãs. Mas independentemente de quão respeitado fosse, eu sabia que, perto de Santo, estaria sempre em segundo plano.”
Capitulo 12
Eddie abre uma janela sobre as experiências e praches pelas quais teve de passar no Japão e a hostilidade que, por vezes, se pode encontrar nos balneários de uma promoção de wrestling. Conta também como os seus vícios se tornavam um problema cada vez maior.
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“Para além de trabalhar para a AAA, também ia ao Japão a cada 6 semanas, mais ou menos, para lutar em cada tournée que conseguisse arranjar. Estar tanto tempo fora de casa provocou definitivamente alguma tensão no meu casamento. Era muito difícil para a Vickie ter de cuidar da Shaul sem me ter por perto. Quase nunca estava em casa. Se não estivesse no Japão, estaria na estrada, pelo México fora. Por muito que eu quisesse passar mais tempo com a minha família, também sabia que a minha primeira responsabilidade era ganhar dinheiro para poder colocar comida na mesa.”
“Lutar no Japão não era pêra doce. Por muito feroz que fosse a indústria do wrestling no México, era duas vezes mais dura nos balneários japoneses. Uma das coisas mais irónicas acerca desta indústria é que, enquanto se dá a entender que estamos a competir no ringue, a verdade é que essa é a única vez que os wrestlers estão a trabalhar em conjunto. É lá atrás, nos balneários, onde acontece a verdadeira competição. (…) É cada wrestler por si só, e há sempre alguém atrás de ti, a tentar ficar com o teu lugar. Não é por maldade, é simplesmente assim que funciona. Por isso, temos de nos proteger a todas as horas, ou acabaremos por ser bem lixados.”
“Ao trabalhar no México, o nome da minha família deu-me um certo nível de protecção. (…) Mas no Japão, ser um Guerrero não significava nada. De repente, eu estava por minha conta, e muitos dos rapazes pensaram que seria engraçado aproveitarem-se de mim. Comecei a ter problemas com alguns dos outros wrestlers. Quando contei ao Mando o que se estava a passar, ele disse-me que a culpa era minha. “És tu que estás a colocar-te nessa posição, mano”, disse. “Estás a beber e a lixar-te a um ponto onde já não te consegues proteger a ti próprio. Estás no covil dos leões, meu. Se continuas a fazer o que estás a fazer, ele vão comer-te vivo.” Pensei muito no que o Mando me tinha dito. Eu sabia que ele estava certo. A partir desse dia, decidi tornar-me o mais invisível que conseguisse. Eu tinha alguns bons amigos – Chris Benoit, Black Cat – mas na maior parte do tempo, ficava sozinho.
Aprendi que era preferível ficar sossegado dentro do balneário. Eu sou sempre cuidadoso com o que digo e faço. Porque as coisas têm repercussões. Esta indústria é muito impiedosa, alguém pode pegar em algo que tu digas e manipulá-la para te fazer ficar mal. Por isso, tentava evitar ser colocado nessa posição.”
“Mas por muito que eu me esforçasse por ficar fora de sarilhos, não conseguia evitá-los. Eu portava-me como um louco sempre que saía à noite. É difícil resistir quando se está longe de casa por um período tão extenso de tempo. Passado uns tempos, a ansiedade e a solidão chegam até nós. A única coisa a fazer é sair à noite. Muitos dos rapazes libertavam a tensão ao arranjarem namoradas por lá, mas o meu caso amoroso era com as drogas e o álcool, não com mulheres. O personagem Latino Heat é só isso – um personagem. O verdadeiro Eddie nunca foi um tipo que arranjasse muitas miúdas. Elas não me ligam muito. Talvez seja o nariz grande, não sei, mas nunca fui um conquistador.”
“Visto que as mulheres não eram uma opção, eu dava cabo de mim, noite após noite, após noite. Ficava bêbedo e depois, ficava mau e estúpido. Começava muitas brigas sem motivo, simplesmente porque estava bêbedo e zangado. Os rapazes tinham uma alcunha para mim quando estava com os copos – chamavam-me “O Gigante”. Era como se a minha raiva interior explodisse por mim afora e eu me tornasse num gigante de 3 metros de altura, com 300 quilos. Eu era maior que o Big Show, com três vezes pior feitio.
Devido ao facto de estar sempre com os copos, houve muitos incidentes na minha vida que eu só sei porque me contaram no dia seguinte. Este é um dos preços a pagar por se ser um alcoólico. Cada história era essencialmente a mesma – eu ficava com os copos e o Gigante aparecia. Por exemplo, uma noite, estávamos a divertir-nos num bar de hotel quando me envolvi numa discussão com o Road Warrior Hawk. Ao crescer, eu fui um grande Mark – fã – do Hawk. Mas naquela noite, no Japão, eu não queria saber quem o Hawk era – eu estava bêbedo e à procura de uma briga. Comecei a meter-me com o Hawk, até que ele me disse directamente para me afastar. “Desaparece da minha frente”, disse, “ou eu trato já deste assunto”. Ele deu-me uma oportunidade para sair dali, mas eu era estúpido. Não queria que ninguém pensasse que era um cobardolas, por isso, meti-me novamente com ele.
Mas o Hawk era um homem de palavra. Quando eu me virei de costas para ele, ele fez exactamente o que disse que faria – tratou do assunto. Bum! Mesmo em cheio na nuca. Deitou-me completamente ao chão, e depois ainda me acertou mais umas vezes só como garantia. (…) Eu lembro-me de acordar e pensar: “Fiz merda”. Ao principio, fiquei mesmo zangado e chateado. Quando realmente parei para pensar no que tinha feito, percebi que a culpa era minha. Ele disse-me para me afastar e eu desafiei-o. Eu tive o que mereci. Não me orgulho dessa noite, mas a verdade é que ser espancado pelo Hawk tornou-me muito popular entre os rapazes. Porque eu não meti o rabo entre as pernas. Isso era algo que todos os rapazes respeitavam em mim. Eu posso apanhar uma coça, mas não fujo à luta.
Anos mais tarde, eu e o Hawk tornámo-nos amigos e tivemos boas conversas. Ele disse-me que gostava muito de mim e que sempre se tinha sentido mal por me ter deixado inconsciente, no chão. Eu disse-lhe para não se sentir mal, que isso se tinha devido à minha própria estupidez. Fico feliz por termos tido essa conversa quando a tivemos. Não muito tempo depois, Hawk morreu, outra fatalidade desta difícil vida que levamos. Deus guarde a sua alma.”
“Alguns wrestlers eram incorrigíveis quando se tratava de pregar partidas a outros wrestlers. Pregar partidas é uma tradição no mundo do wrestling. Os rapazes fazem-nas aos wrestlers mais jovens como forma de lhes dar as boas-vindas à indústria. (…) Na maior parte das vezes, as piadas são inofensivas e até engraçadas. Esconder a bagagem do tipo novo ou acorrentá-la aos bancos dos balneários, é só uma forma de dizer, “Bem-vindo ao clube”. Mas, às vezes, as partidas podem tornar-se francamente desagradáveis (nasty) – literalmente. Dois dos piores “trocistas” no Japão eram os Nasty Boys, Brian Knobs e Jerry Sags. Esses dois pregaram-me uma partida bem cruel numa das minhas primeiras viagens ao Japão. (…) Brian e Jerry eram totalmente amigáveis pela frente, mas quando eu não estava a olhar, meteram-me um calmante na bebida.
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Enquanto eu estava “apagado”, Knobs meteu-se em cima de mim, a dizer coisas como, “eu sempre odiei o teu irmão Hector” e a dar-me estaladas na cara. Depois, raparam-me as sobrancelhas, cortaram-me o cabelo e só deixaram um pequeno triângulo no cimo da minha cabeça. Eu parecia o Frankenstein! Isto ultrapassa qualquer piada. Isto é pessoal. Os Nasty Boys acharam que foi hilariante, mas eu estava bem lixado com eles. Até ao dia de hoje, fico muito amargo acerca disto. (…) Eu tive de lutar diante de 18 mil pessoas no Sumo Palace, sem sobrancelhas e com todo o meu cabelo cortado.
Eu não tinha ninguém para culpar, a não ser eu próprio, porque eu escolhi “jogar o jogo”. Eu entendia o mundo do qual fazia parte. Se eu não saísse com eles, ele não teriam tido oportunidade de meter algo na minha bebida. (…) Ser gozado faz parte da indústria, por isso eu tinha de aceitá-lo. Se não mordemos a língua e engolimos a raiva, as partidas podem tornar-se ainda piores.”
“Eu odiava o facto de não poder proteger ninguém das partidas maldosas dos outros. Se tentamos impedir que uma partida aconteça, recebemos todo o tipo de hostilidade e muito provavelmente, tornamo-nos a próxima vítima. (…) Tenha os defeitos que tiver, eu não me vejo como um tipo ofensivo. Quando me sinto ameaçado, luto o mais duro que conseguir, mas não sinto qualquer prazer em magoar alguém. Conheço demasiados tipos que fazem coisas como pontapear cães só para seu bel-prazer. Esse não é o meu estilo. Há wrestlers que se divertem lutando de forma mais dura – realmente magoando os seus adversários. Eu odeio magoar alguém, mas às vezes, tem de ser. Às vezes, temos de ser duros, para sermos respeitados.”
“Sendo um wrestler mais pequeno, tive de lidar com idiotas como estes muitas vezes. Eles pensam, “Eddie não é muito grande, eu arrebento-o todo”. Quando isso acontece, eu mudo para modo de sobrevivência. Eu não quero lutar, mas se se metem comigo, eu retribuo o favor 10 vezes pior.”
“Eu fiz bons amigos no Japão, pessoas que eu considero como verdadeiros irmãos, como Chris Benoit e Black Cat. Um dos meus melhores amigos, até hoje, é Dean Malenko. Nós conhecemo-nos na minha segunda ou terceira tournée no Japão. Nós fomos assinalados para um combate juntos, e eu estava bastante intimidado. Eu tinha ouvido falar muito sobre o Dean, sobre a sua forma dura de lutar e quão bom ele era a “esticar” o pessoal. (…) Dean era um tipo sossegado, pouco falador. Só pensava no trabalho. (…) Eu estava tão nervoso antes do nosso combate. Black Cat viu-me no balneário, a preparar-me e disse-me, “Porque estás tão nervoso? O Malenko é fácil, um profissional total.” E assim foi, nós fomos lá para fora e o Dean foi óptimo. Totalmente suave. O Dean flúi, simplesmente flúi como água, no ringue. É tão gracioso, faz tudo parecer fácil. Apesar dele não ser a pessoa mais fácil de se conhecer melhor, o Dean e eu demo-nos logo bem. Tornámo-nos amigos rapidamente, uma relação que estimo até aos dias de hoje.”
“Magoa ouvir o que as pessoas pensavam de mim quando eu saía à noite todos os dias. (…) Mais do que tudo o resto, fico envergonhado. As pessoas riem-se e dizem que eu era a alegria da festa, mas essas gargalhadas são às minhas custas. Uma vez, estava a embebedar-me com um grupo de rapazes – Scott e Rick Steiner, os Nasty Boys, Brian Pillman, entre outros. Como habitual, estávamos já todos bem “regados”. Os Nasty Boys estavam tão bêbedos que começaram a tirar todas as suas roupas. Ali estavam eles, Brian e Jerry, completamente nús no meio da rua. Rick Steiner estava a mandar vir com eles, todos os outros estavam a partir o coco. Bom, pelo que me contaram, à medida que tudo isto acontecia, Scott Steiner meteu-se por trás de mim com um isqueiro e pegou-me fogo. Estou a dizer-vos, eu não fazia a mais pequena ideia. Graças a Deus pelo Pillman. Ele veio ter comigo e muito normalmente disse, “Hum, Eddie? Tu sabes que estás a arder, não sabes?”. “O quê?!”, eu não sentia nada, eu estava mal a esse ponto.
Deus abençoe o Brian, ele começou a dar palmadas no meu rabo para apagar as chamas! Juro, eu não soube o que aconteceu até ao dia seguinte, pela manhã, quando acordei e vi as minhas cuecas – “Que raio é que aconteceu aqui?” O Pillman contava esta história a toda a hora. Deus guarde a sua alma, ele era um tremendo contador de histórias, verdadeiramente divertido. “Ali estava o Eddie”, diria ele, “de pé, a pegar fogo, sem “vender” o ataque”.
Capitulo 13
Eddie dá-nos a conhecer um dos momentos mais importantes da sua ainda recente carreira, quando conheceu Art Barr, com que fez uma importante e reconhecida tag team no México, Los Gringos Locos. Eddie conta-nos acerca do seu relacionamento com Art e do florescer de uma carreira que começava, cada vez mais, a ganhar vida própria.
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“Tiger Mask era uma estrela de enorme gabarito no wrestling japonês. Mais do que uma estrela, na verdade – ele era um ícone cultural nacionalmente adorado. (…) Com Satoru Sayama a representar esse papel, Tiger Mask tornou-se uma das maiores super-estrelas da história desta indústria. Sayama era um talento incrível, um verdadeiro pioneiro do estilo “Júnior Heavyweight” – aéreo, desafiador da morte, revolucionário no seu carisma e movimentos. (…) Tiger Mask era um fenómeno tão grande que, quando Sayama se retirou em 1983, a máscara passou para Mitsuharu Misawa. Ele usou-a até 1990, seguido pelo espectacular Koji Kanemoto, que era o Tiger Mask quando eu cheguei à New Japan. Como qualquer Super-Heroí de banda desenhada, Tiger Mask tinha um arqui-inimigo malvado – o Black Tiger. Ele é o Green Goblin para o Homem-Aranha do Tiger Mask, o Lex Luthor para o seu Super-Homem.”
“Eu já tinha ido ao Japão algumas vezes, fazendo cada vez melhor figura, em cada uma das minhas visitas. Quando a direcção veio ter comigo e perguntou se eu queria ser o novo Black Tiger, eu disse, “Sim,” sem um pingo de hesitação. Até onde me dizia respeito, o meu destino era trabalhar no Japão. (…) Por isso, a oportunidade para ser o Black Tiger era muito importante para mim. Apesar da minha cara ficar escondida atrás de uma máscara, este era um lugar de grande importância que só me iria trazer mais exposição. Na realidade, apesar de eu não o saber na altura, ser convidado para me tornar no Black Tiger, teve um efeito profundo no resto da minha carreira, no wrestling.”
“Ser Black Tiger deu-me liberdade como artista. Esconder-me por trás de uma máscara permite libertar a versão de ti, que só existe no teu coração. Eu pude soltar o meu heel interior, pela primeira vez. E sabem que mais? Adorei! (…) Com o meu rosto escondido por baixo da máscara, o meu lado obscuro teve permissão para se mostrar. Eu tornei-me num heel natural. A agressividade que emergiu por ser o Black Tiger mudou tudo acerca do meu estilo dentro do ringue. Penso que esse foi o momento em que realmente me encontrei pela primeira vez. O que foi mais importante, foi o facto de que continuei a crescer, a aprender e a melhorar. Finalmente entendi o que o meu pai me havia ensinado sobre ser um general dentro do ringue. Eu aprendi como realmente liderar um combate.”
“Não havia muitos americanos a trabalharem no México. Para além de latino-americanos como eu, Konnan e Rey Mistério, só havia alguns wrestlers norte americanos por aqueles lados, tais como Black Magic, Norman Smiley, King Haku, o falecido Mike Lozanski e Chris Jericho, que estava a trabalhar para a EMLL como Lionheart (Coração de Leão). Chris é uma excelente pessoa, um tipo amável e carinhoso. Costumávamos andar juntos, apesar dele funcionar mais como meu baby-sitter, tomando conta de mim sempre que eu me embebedava. Para um “gringo” ter sucesso no México, tem de haver algo de diferente nele. O velho ditado é verdadeiro – quando estás em Roma, sê romano – mas ao mesmo tempo, tens de saber mostrar algo inovador ou eles comem-te vivo.
Havia um americano entre as estrelas de topo da AAA – Art “Love Machine” Barr. Art era um artista tremendo, em tudo – um wrestler ridiculamente dotado, capaz de fazer todos os movimentos acrobáticos que os fãs mexicanos adoravam, para além de incorporar o tipo de carisma necessário para se ser popular nos Estados Unidos. Ele tinha o dom de dar sentido a tudo o que fazia. (…) Pessoalmente, eu não o suportava. Considerava o Art arrogante, demasiado confiante em si mesmo e odioso. (…) Mas devido ao facto dele estar entre os poucos wrestlers que falavam inglês, nós saíamos juntos ocasionalmente. Uma noite, estávamos a jantar juntos em Monterrey quando o Art me fez uma sugestão, que viria a mudar a minha vida. “Devias virar heel”, disse entre garfadas de bife. “Vamos falar com o Tony Peña e dizer-lhe que queremos formar uma equipa”. Eu estava definitivamente interessado. Ser o Black Tiger no Japão deixou-me com vontade de me tornar heel no México. Para além disso, Art era uma super-estrela e eu sabia que seria um bom negócio juntar-me a ele. (…) Foi o meu irmão Mando que inventou um inspirado esquema para eu me tornar heel.”
“O nosso plano era simples, mas brilhante. Santo e eu estávamos num combate contra o Art. A certa altura, pó fora atirado para os meus olhos e enquanto eu estava cego, o Art tirou a máscara de Santo e pô-la em si próprio. Ele deu-me alguns socos, e depois voltou a colocar a máscara em Santo. Com a minha visão enublada, eu assumi que tinha sido Santo quem me tinha atingido, e por isso ataquei-o e dei cabo dele. Bom, Santo era tão adorado que qualquer pessoa que lhe batesse ficava instantaneamente do lado errado dos fãs. Estes vaiaram-me e atiraram-me com coisas. O “heat” era inacreditável. Eu não teria ficado chocado se um motim começasse ali mesmo. A partir desse momento, eu era um heel. (…) Durante uns tempos, fomos conhecidos como “La Pareja del Terror” (o par do terror). Então, uma noite, um dos comentadores disse algo como “Estes gringos são locos”, e de repente nós tínhamos um nome que realmente se encaixava connosco – Los Gringos Locos.”
“Ao principio, eu odiava estar numa tag team com ele. Eu estava absolutamente miserável, por ter de trabalhar ao lado de um tipo de quem eu não gostava. Eu tenho de ser honesto comigo próprio. Porque é que eu me sentia desta maneira acerca dele? Penso que inconscientemente tinha inveja dele. Na minha cabeça, sentia que era um trabalhador superior. Então, porque é que as pessoas não gostavam de mim, como gostavam dele? (…) Eu ainda não tinha aprendido o quanto a personalidade tinha a ver com o grau de sucesso nesta indústria. Não interessava quão bom eu era – eu não chegava aos pés do Art, no que diz respeito a carisma. Eventualmente, encontrámos paz entre nós. Eu abdiquei do papel principal no ringue, mas nos bastidores, tornei-me o líder da equipa. Art era o carisma e eu estava a cargo da psicologia. Esse sempre foi o meu objectivo, ser o melhor wrestler a nível psicológico que conseguisse ser. O meu pai ensinou-me que a psicologia é tudo. É ela que vende a história que estás a tentar mostrar.”
“Aos poucos, o Art e eu aproximámo-nos. Parte dessa aproximação foi devido ao tempo que passávamos juntos. Se não estava com a minha família, então estava com ele. Se não estava no Japão, estava com ele. Quanto mais o conhecia, mais comecei a perceber quem ele realmente era. Eu vi o verdadeiro Art Barr. (…) Acabei por verificar que estava completamente errado acerca dele. Claro, ele era ambicioso, mas também tinha um grande coração. É que, nesta indústria, temos de ser cuidadosos com quem abrimos o nosso coração.”
“O Art tinha um espírito que irradiava de dentro dele. Ele tinha a habilidade de fazer uma piada de tudo. Ele adorava brincar com as pessoas, adorava contar histórias. Era simplesmente um tipo divertido. E isso era o que as pessoas viam nele. Art fez-me rir de um modo que nunca mais ninguém conseguiu. (…) Esta foi uma das formas com que ele quebrou o gelo entre nós. Ele fazia-me rir tanto, que eu não pude resistir a adorá-lo. Passado pouco tempo, tornámo-nos melhores amigos. Tornámo-nos irmãos.”
“Eu aprendi tanto com o Art. Antes de começarmos a trabalhar juntos, eu olhava para os wrestlers mais bem sucedidos e pensava, “Eu posso lutar muito melhor do que estes tipos no ringue, então porque é que eles ganham mais dinheiro do que eu?”. Art ensinou-me que wrestling não é só ser talentoso no ringue. Há muito mais acerca disso – ter uma personalidade carismática, contar uma história cativante com as nossas reacções faciais. Foi a trabalhar com o Art que eu comecei a abrir-me e a tentar ser carismático. Naquela altura, eu era uma pessoa muito tímida. Ainda sou, mas através do Art, aprendi a libertar a minha personalidade interior dentro do ringue.”
“Mas também não era tudo só sobre o Art – eu também trouxe muita coisa para cima da mesa. Quando nos juntámos pela primeira vez, o meu finisher era o Jacknife Splash do topo do canto. Um wrestler chamado La Fiera costumava fazê-lo e eu achei que era um movimento excelente. Ele era tão gracioso, a voar do canto. Art decidiu que queria o Splash. Ele tornou-o naquilo que é hoje em dia. Uma noite, Too Cold Scorpio disse ao Art, “Meu, tu pareces mesmo um sapo!”. Foi assim que ganhou o nome de Frogsplash. Art foi o homem que realmente tornou o Splash “froggy”. (…) Por isso, apesar de Art ser a estrela, foi a química, a combinação dos nossos talentos, que fez com que, no final, os Gringos Locos funcionassem tão bem.”
“Claro, O Art era apenas humano. Não era sempre a pessoa bem-disposta que aparentava ser, por fora. Por dentro, ele estava a lidar com muitos dos mesmos assuntos negativos que eu estava. (…) Eu era basicamente um alcoólico. Eu bebia bebidas mais fortes ocasionalmente – geralmente tequila – mas a cerveja era o meu grande amor. Apesar de muitos rapazes estarem a tomar comprimidos, eu tinha demasiado medo. Tinha ouvido demasiadas histórias de terror sobre rapazes que tinham morrido por causa delas. Não quer dizer que não me oferecessem comprimidos a toda a hora. (…) Mas, depois de uns tempos, comecei a ultrapassar as minhas apreensões. Art apresentou-me aos Percocets e Percodans, que são analgésicos moderados – mas mesmo assim muito poderosos e totalmente viciantes. Admito, caí de amores por eles. Eu adorava a sensação de euforia que recebia, o calor e o prazer que advinha de tomar um opiáceo. Lenta mas seguramente, perdi todos os meus medos e comecei a satisfazer-me com comprimidos.”
“Por muito que gostasse de comprimidos, a minha droga de eleição manteve-se o álcool. Eu nunca trabalhei bêbedo – era sempre depois que o espectáculo terminava. (…) Devo também esclarecer que nem toda a gente se divertia desta maneira. Por exemplo, Chris Jericho tomava algumas bebidas, mas não tocava num comprimido, sob nenhuma circunstância. Mas para muitos dos outros wrestlers, este era o estilo de vida, ainda que possivelmente não tão extremo quanto o meu. A Vickie nunca viu as minhas saídas como um grande problema. Ela percebia que isto fazia parte da cultura. Para ela, o facto de eu beber muito, era normal. Foi apenas bem mais tarde que nos apercebemos que eu tinha um problema.”
“A maior rivalidade dos Gringos Locos foi contra o principal babyface da AAA, El Hijo del Santo, e o seu parceiro de tag team, Octagon. Durou vários meses e iria acabar com um combate de Hair vs Masks (cabelo vs mascaras), no evento “When Worlds Collide” da AAA, o primeiro PPV de lucha a acontecer e a ser transmitido na América. Todos sabíamos que a rivalidade tinha dado tudo o que tinha para dar. Estava na altura do grande final, e no México, um combate de Hair vs Masks é o final derradeiro. (…) O Art era um tipo muito persuasivo, por isso, geralmente era ele que decidia os assuntos relacionados com a nossa equipa. Mas para este combate, eu é que segurei as rédeas nas mãos. Eu sabia o quanto valia o meu cabelo. Se eu ia ficar com a minha cabeça rapada, eu queria receber até ao último cêntimo que conseguisse. (…) Após algum regateio, chegamos a um acordo – eu e o Art receberíamos, cada um, 7500 dólares. O que não era um mau negócio, tendo em conta que o meu cabelo cresceu de volta.
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Umas semanas antes de When Worlds Collide, eu e o Art fomos ao Japão para fazer alguns espectáculos da New Japan – os primeiros do Art. (…) A meio da tournée, eu fui acordado por alguém a bater na minha porta de hotel. “Ok, ok! Só um segundo!” Arrastei-me para fora da cama e abri a porta. O Art estava ali, sem sobrancelhas e com toda a parte de trás da cabeça rapada. “Meu, o que te aconteceu?”, “Foram aqueles cabrões dos Nasty Boys”, disse Art. Imediatamente, fiquei furioso. Cortar o cabelo dele, como eles fizeram, sabendo que nós tínhamos um combate muito importante a caminho, foi muito mais do que uma partida. Foi um insulto. Foi uma ameaça para o nosso trabalho. (…) Eles não nos respeitavam o suficiente para não fazerem o que fizeram. Não se importaram que nós perdêssemos dinheiro e que não fossemos capazes de alimentar as nossas famílias. Tudo o que lhes interessava era fazerem uma piada. Eu sempre guardarei ressentimento contra aqueles tipos, pelo que eles fizeram. Sempre. O Art teve de usar extensões para o “When Worlds Collide”, porque os Nasty Boys tinham dado cabo do cabelo dele. Na verdade, ele teve de usar uma peruca porque o objectivo do raio do combate era que o cabelo seria cortado.”
“Eventualmente, cheguei a desfrutar de alguma vingança contra Sags e Knobs. A direcção patrocinou-nos durante alguns espectáculos, o que no Japão significa que eles tomam conta de tudo – hotel, comida, bebidas, tudo do bom e do melhor. Colocaram-nos num maravilhoso hotel de 5 estrelas. (…) Nessa noite, todos os rapazes se juntaram para jantar, uma das melhores refeições que alguma vez tive. Bifes, santolas, tudo a que tínhamos direito. E claro, as bebidas não paravam de aparecer durante toda a noite. Como habitual, os Nastys embebedaram-se. À medida que eles iam ficando cada vez mais bêbedos, o Cat e eu começámos a tirar todos os desperdícios e restos de caranguejo e marisco dos pratos das pessoas. Misturámos tudo com um pouco de molho. “Ei, Brian, Jerry”, disse, “Já provaram isto? Mmmmm, é delicioso, meus! Tomem, comam algum!” eles começaram a engolir tudo enquanto eu e o Cat tentávamos não mijar nas nossas calças de tanto rir. Foi tão satisfatório – alimentar aquelas bestas com uma grande tigela de merda. E eles nem sequer faziam ideia! Eu contei esta história a alguns dos rapazes ao longo dos anos, mas nunca tive a chance de dizer ao Sags e ao Knobs. Agora é a minha oportunidade – vocês comeram merda de caranguejo, rapazes. Espero que tenham gostado tanto de a comer como eu gostei de vos servir!”
Capitulo 14
Eddie concentra-se num momento muito importante da sua carreira, quando protagonizou um PPV que viria a ter um efeito profundo no seu futuro, como wrestler.
“When Worlds Collide” foi um momento especial na minha carreira. Naquela altura, a indústria do wrestling estava a mudar. Os fãs estavam a tornar-se mais conhecedores de wrestling. Eles sabiam que havia algo mais do que apenas as duas grandes promoções, a World Wrestling Federation e a World Championship wrestling. Eles trocavam cassetes, entre si, da New Japan e da AAA e desta nova e louca promoção que estava a ganhar bastante popularidade em Filadélfia – a Extreme Championship Wrestling. Parte do entusiasmo que rodeava o evento “When Worlds Collide” era o facto de que os “smart marks” iam poder ver um evento importante de lucha no seu próprio país.”
“Os fãs estavam a adorar enquanto eu e o Art nos livrávamos do cabelo – eu cortei o do Art, e depois, ele cortou o meu. Começámos com uma tesoura, e depois Santo e Octagon chegaram e cortaram o resto com uma máquina zero, directamente até à pele. O Santo guardou o meu cabelo, até aos dias de hoje. Ele mantém-no num pequeno saquinho. Tradicionalmente, podemos guardar a máscara do nosso adversário depois de a ganharmos, mas eu nunca tinha ouvido falar de ninguém que guardasse cabelo. Imagino que Santo sinta que houve algo de especial naquele combate e queira comemorá-lo, guardando um saco cheio do meu cabelo. Na verdade, fico bastante sensibilizado e honrado por isso, apesar de parecer um bocado estranho. Esse combate entrou para a história como um dos melhores combates de sempre, um clássico de 5 estrelas, mas é difícil para mim vê-lo dessa maneira. Eu agradeço aos fãs por o terem adorado, mas eu não consigo apreciá-lo da maneira que eles o fazem. Não quero desrespeitar ninguém, mas só o consigo ver através da perspectiva do trabalhador. Quando assisto a esse combate, tudo o que consigo ver é o que fiz de errado. Não consigo evitá-lo, sou muito crítico com o meu próprio trabalho. No entanto, nessa noite, julguei ter sido um dos meus melhores combates de sempre. Foi definitivamente uma das noites mais excitantes da minha carreira, até essa altura. Eu e o Art estávamos seguros que tínhamos oferecido algo espectacular e inovador.”
“Após o “When Worlds Collide”, um rumor começou a espalhar-se. Paul Heyman – Paul E., o co-director e génio criativo por trás da ECW – viu o espectáculo, ou tal conta a história, e ficou tão impressionado que decidiu contratar os Gringos Locos para a ECW. Paul E. terá imaginado uma grande rivalidade entre nós e os Public Enemy, que na altura, eram a tag team mais importante da promoção. Não faço ideia se isto é verdade ou não. Tudo o que sei é que Art ouviu falar disto e ficou todo entusiasmado por voltar a trabalhar nos Estados Unidos. Ele telefonou-me e disse, “Eles querem-nos, mano! Eles querem-nos!” Claro que com o Art, nunca sabíamos o que era real e o que era apenas treta.”
Capitulo 15
Eddie descreve a tristeza que sentiu ao tomar consciência da morte do seu grande amigo, Art Barr e como procurou ultrapassar a tristeza provocada por tal acontecimento.
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Depois de “When Worlds Collide”, eu e o Art tivemos direito a algum tempo de folga da AAA. Ele foi para Portland e eu fui para uma tournée no Japão. (…) Quando eu cheguei ao hotel nessa noite, tinha recebido uma mensagem da Vickie a dizer para lhe ligar imediatamente. Eu soube logo que algo tinha acontecido. Telefonei para casa e pude ouvi-la hesitar, como se ela não me quisesse dizer o que quer que fosse que tinha para me dizer. Finalmente, ela simplesmente falou. “O Art está morto”, disse ela. O meu primeiro pensamento foi que ela se referia a Art Flores – Tury, o meu melhor amigo. “O Tury morreu? oh, Deus, o que aconteceu?”, “não, não foi o Tury”, disse a Vickie. “O Art”. “O Art não morreu”, disse. “Ele não pode estar morto. É mentira”. Eu recusei-me a acreditar no que a Vickie me estava a dizer. Eu telefonei-lhe três vezes, a perguntar-lhe em que hospital o Art estava. De cada vez, ela tentava fazer-me entender a verdade – O Art tinha morrido.”
“Ela, então, contou-me tudo. O Art estava em casa com o seu filho, Dexter, a preparar-se para o dia de Acção de Graças, do dia seguinte. Nessa manhã, o Dexter tentou acordar o pai, mas não o conseguiu levantar. Ele viu que o pai estava frio, por isso cobriu-o com alguns cobertores. Entretanto, a mãe do Art (…) decidiu ir lá a casa. Ela foi até à porta e bateu. Dexter tentou deixá-la entrar, mas não conseguia chegar à fechadura. Ele só dizia, “Avó, o papá não acorda”. (…) Pela janela, ela viu Art deitado no chão, pálido e rígido e soube imediatamente que ele tinha morrido. Até este dia, ninguém sabe o que aconteceu. A causa de morte é oficialmente indeterminada. As pessoas dizem sempre que foi uma overdose de algum tipo, mas isso nunca foi provado. Quando os médicos fizeram a autópsia, não encontraram nada em excesso no seu corpo, que o pudesse ter morto. Alguns dizem que foi um ataque de coração, outros pensam que foi uma trombose. Mas a verdade é a que a razão que levou à morte de Art permanece um mistério. Eu fiquei chocado e de coração partido.”
“A morte do Art foi uma das experiências mais duras da minha vida. Não creio que o tenha superado totalmente, apesar de ter aprendido a viver com isso. Foi preciso muito tempo para eu ficar em paz com a morte do Art. Chorei todas as noites durante dois ou três meses seguidos. Costumava telefonar à minha mãe e dizer-lhe, a chorar, o quanto sentia a falta dele. Então, uma noite, eu tive um sonho incrivelmente real, que acredito ter-me sido enviado por Deus. Eu estava nos balneários. Virei-me e ali estava o Art. Ele estava tão brilhante e feliz, estava a brilhar. Perguntei-lhe, “Estás bem?”, “Estou bem, Eddie”, respondeu-me, a sorrir. (…) “Chegaste ao céu?”, “Com dificuldade”, disse o Art, “mas consegui”. De repente, estava no ringue, a lutar. Foi esquisito, como dois diferentes ângulos de câmara. Eu estava à distância, a ver-me a mim próprio, e ali estava o Art, no meu canto. Mas depois já estava no ringue. Olhei para trás do meu ombro, para ver o Art, mas ele não estava lá. Parece loucura, mas para mim foi completamente real. Quando acordei, senti-me em paz pela primeira vez desde a morte do Art. Este foi o momento em que finalmente aceitei a sua morte.”
“O Art elevou-me a um nível superior. O tempo que passámos juntos fez-me aperceber o quão importante são o carisma e a teatralidade para avançar nesta indústria. Mas tudo isso é secundário para o quanto eu adorava o Art como amigo. (…) A amizade do Art era uma verdadeira fonte de alegria na minha vida e eu sinto a sua falta, até hoje. (…) Durante muito tempo, eu pensava no Art todos os dias. Já não o faço, apesar dele estar sempre no meu coração. Às vezes, seguir em frente é a única forma de ultrapassarmos a morte de alguém. De outra maneira, irá assombrar-nos para sempre, e essa não é uma maneira saudável de se viver.”
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Depois de duas semanas de ausência deste espaço, devido à ocupação do dia com os PPV's é então que regressa o espaço que mais risadas puxa neste Universo Wrestling, e, quem sabe, pelos arredores também...Esta semana e guiando pelo bom velho ditado "Uma imagem vale mais do que mil palavras" decidi partilhar umas ideias em forma do dito formato multimedia...
Espero que gostem :)

Uma nota final para o Ziggler, o top seller, que teve e muito bem (tirando aquele body drop do Kingston) a vender a ofensiva de Kingston e Bourne, dois wrestlers com quem parece ter bastante química, e a parte de ter sido ele a sofrer derrota foi para apimentar mais o que havia de vir.
Nota do Combate: ***
NunoTaker: Para começar bem o PPV, nada melhor que ter Dolph Ziggler a combater, ponto. Mas para finalizar mal o combate, nada pior que uma derrota de Dolph Ziggler! Depois de ser o centro do combate nesta boa contenda, o prémio que este tem é sofrer o Pinfall… Escusado será dizer que sou um grande fã de DZ, já não é a primeira vez que o digo publicamente que Dolph Ziggler vai ser uma figura de Proa no Wrestling Mundial nos próximos anos. Quanto a este belíssimo Tag Team Match, em que foi usada a forma clássica deste tipo de combate, Tags constantes entre os Heels enquanto dominam durante grande parte do combate um dos Babyfaces, esperando o Hot Tag que leve ao fim da contenda, e este combate teve disso, com momentos bastante agradáveis. A vitória sorri aos Air Boom, mas continua a achar que são uma equipa muito insossa…
O combate pecou por duas coisas, o cansaço de Ziggler que foi bom para a história, mas que originou pouca produtividade no ringue, e o Ryder com a storyline de fazer as coisas à trapalhão, acabou por se atrapalhar a si mesmo, e fez um mau trabalho. Ziggler este, começa a se endurecer como um wrestler a ter em conta pelos outros.
Não sei se a feud é para continuar ou não, mas gostava de no Survivor Series ver o Ic Champ Vs Us Champ, o problema é que como são os dois Heels o mais provável e serem envolvidos em algum combate tradicional de 5-5 elimination tag team match.
Nota do Combate: *
NunoTaker: Quando comecei a ver que Zack Ryder estava a entrar daquela maneira, de certa forma sorrateira, estava a ver que o caldinho estava a ser entornado para o lado de Ziggler em prol duma singela participação no combate 5 on 5 no Survivor Series, em que a derrota pelos títulos de Tag Team e logo de seguida, ter de defender o seu US Title e perdido este, seria a desculpa perfeita para que Ziggler se sentisse indignado e assim, tivesse o seu lugar no 5 on 5 de caras… Mas a WWE não foi em cantigas, e sabe que o US Title, tal como o IC Title estão neste momento, nos dois melhores Midcarders da WWE, e isso é justo, pelo que a retenção do titulo foi mais que justa, apesar de ser um fã de Zack Ryder. O combate foi também bom, com uns bons Spots de Zack Ryder e com a natural desilusão de quem queria que ele vencesse o combate… Zack Ryder precisa de uma vitória 1 on 1 sobre o Dolph Ziggler, para ser visto aos olhos dos fans como um verdadeiro #1 Contender… E não esperar vencer um combate pelo US Title por ter aparecido logo a seguir ao Ziggler combater noutro combate… Espero que a WWE não desista de Zack Ryder ir atrás do US Title mas que o mantenha no Ziggler durante muito tempo, a não ser que essa perda possibilite um ataque ao WWE Championship.
Cada vez mais acho que temos que esperar pela Kharma ou por um turn da Natalya para poder ver algo de verdadeira qualidade.
Nota do combate: *1/2
NunoTaker: Confesso que este combate me deixou pregado ao ecrã. E nunca tal aconteceu com a actual Divas Division. Eve mostrou neste combate que é uma atleta super capaz, e bem melhor que Kelly Kelly, mas de longe! Os estilos de Eve e Beth foram de tal forma tão bem aproveitados que estou certamente ansioso por ver o próximo combate entre ambas, até porque o objectivo de Beth Phoenix não foi conseguido neste combate. Não falo da retenção do Titulo mas sim da vontade da campeã em fazer Eve chorar. O que deixa a nu que um novo confronto pode estar para vir e com combates desta qualidade, a divisão deixará de ser vista como uma perda de tempo, não é Sr. Presidente da WWE?
O combate até foi bom, no entanto ver sempre a mesma coisa, começa a enjoar. Quando falo a mesma coisa é sempre a mesma coisa, parece um re-play de algum combate sempre a passar. Os combates são sempre muito parecidos, os finais iguais, e o derrotado o mesmo de sempre.
Não sei se o objetivo da WWE é dar destaque ao Sheamus, mas estão a fazer isso, deixando um reflexo de um Christian perdedor. Eu diria que estão ambos no mesmo escadote um de cada lado, em quanto o Sheamus sobe um degrau o Christian desce um.
Nota do combate: ***
NunoTaker: E mais uma vez, Christian é vítima de mais um Push, vitima de mais um combate contra Sheamus. Foi um combate bastante físico, não estivesse presente Sheamus, usando a sua força para dominar Christian, contra balanceando a matreirice de Christian. Mais uma vez, os dois entregaram um combate bastante decente, deixando excelentes indicações sobre os papeis futuros dos dois… Por um lado, Christian parece estar a perder o fulgor do World Heavyweight Championship e Sheamus está a ganha-lo, sendo que a única coisa que os diferencia é que Shaemus vence os combates e Christian perde-os, porque a nível de merecimento, estão ambos na linha da frente.
O início era o esperado, afinal eram dois wrestlers muito valorizados a formar equipa. Começaram a dominar para tentar “dar uma lição” aos arruaceiros dos Awesome Truth. Como em todos os combates, os Heels acabaram de tomar a dianteira e a partir dali a historia quase que morreu, não houve o fator da “Great Tag team” que tinha-mos ali, o publico quase que adormeceu, o hot tag não existiu e o Nash veio salvar as coisas, pois foi ele que acordou os fãs.
O resultado não era o esperado, mas uma vez que o Nash se envolveu, a equipa heel tinha que vencer.
Nota do combate: **1/2
NunoTaker: Confesso que esperava melhor destes senhores… Este combate de Tag Team não foi nada de especial, embora seja engraçado e nostálgico ver Punk e Triple H interagirem um com o outro como equipa. Truth e Miz são Heels por excelência e excelentes. Foi como que um 1 vs 1 mas com 2 lutadores de cada lado… Já há muito que não via na WWE um combate de Tag Team sem ter os títulos em jogo num PPV, e como tal, soube-me estranho este combate… O Regresso de Kevin Nash foi uma grande surpresa, confesso que não estava nada à espera deste desfecho. Espera ver o Turn de Triple H em CM Punk, mas como a WWE sabe o que nós pensamos, “ela” lá conseguiu nos surpreender mais uma vez… Parabéns à WWE e espero que haja envolvência de Shawn Michaels nesta Feud.
O combate em si foi bom, mas muito lento o que tornou o combate longo e enfadonho. Pedia-se mais um bocado de velocidade, e de melhores counters, afinal quem estava ali era o professor e o aluno, eles deveriam conhecer os pontos fracos um do outro, e traze-los para o combate com bons counters. Houve também falta de emoção, e nem os moonsaults do Cody, ou o Cross Rhodes que o Orton se livrou a trouxeram, por mero erro da wwe.
A WWE neste combate errou em dois pontos, o primeiro foi não ter construído o Cody como uma potencial ameaça para Orton, e como tal o publico todo o via como alguém incapaz de dar luta ao Orton. A segunda foi o resultado. O Orton ao contrário do Rhodes não precisava da vitória, ainda para mais uma vitória que descredibilizou o Rhodes, afinal o Orton saiu do finisher do Cody, o homem que nem com a ajuda dos Baggers conseguiu vencer. Portanto se o Rhodes não era visto como um adversário do Orton, agora é que não é.
No entanto o Cody passou uma imagem de bom wrestler, e ter usado a taunt do Orton foi uma grande manobra de heel. Uma vitória não ficava nada mal, e apimentava a feud.
Nota do combate: **1/2
NunoTaker: Mais um combate que de certa forma me desiludiu… É certo que a WWE há já algum tempo que não proporciona em PPV um combate que possamos dizer que foi intragável de tão mau. Este não foi mau, foi bom, mas não foi muito bom… E com uma nova rivalidade entre dois homens com passado juntos, esperava melhor deles, dado conhecerem os pontos fortes e pontos fracos um do outro… A vitória sorriu a Randy Orton mas se tivesse caído para o lado de Rhodes, faria uma mossa muito maior no mundo da WWE. Uma vitória de Randy Orton já é normal… Uma vitória de Cody Rhodes traria mudança certa no Main Event do Smackdown… Enfim, a ascensão ao Main Event de Rhodes fica apenas adiada para o futuro…
A história foi simples, foi a de mostrar que um tinha força para executar as manobras no outro, e o outro a corresponder com a mesma carta. Mas como a WWE construiu e bem este combate, ele veio com um certo hype que ajudou os fãs a olhar para ele com outros olhos.
O final não foi inovador, mas foi bom e os fãs ficaram contentes, não sei se pelo angle ou porque estavam curiosos pelo que ia acontecer a seguir…
Nota do combate:: ***
NunoTaker: Combate agradável para os intervenientes em questão, isto é, para quem esperava algo muito mau, até que não foi mau… E mais uma vez, a WWE a surpreender! A batalha dos Gigantes é sempre muito vendida na WWE, mas finalmente, esse nome esteve à altura das espectativas. O combate começou a ter contornos de qualidade quando se entra na sequência final de manobras, com aquele World Strongest Slam, e Chokeslam de resposta da parte de Big Show e finalmente, o ponto que marca este PPV, o Superplex que causou o desmembramento do ringue. O No Contest decretado dá a crer que estes dois vão combater de novo, quiçá no próximo PPV o que deixa agua na boca sobre o que pode acontecer de inovador entre ambos (sim, porque o facto do ringue se ter partido, isso em si não é inovador).
Só por ter-mos o ringue naquele estado, a nossa curiosidade em seguir o combate aumentou, e isso notou-se no público que aqueceu os wrestlers. Mas ainda assim o combate foi bastante entretido, só pecou pelo final, em que se pedia uma vitória mais limpa do Del Rio, que venceu de uma maneira que ele nem sabe como. Gostei do pormenor dos fãs a levantar o Del Rio, que ajudou ainda mais ao heat.
Mérito para os Wrestlers, por bumparem como bumparam quer no ringue naquele estado, quer em outros locais. Mas acho que o plano principal vai para Cena, que mostra ser um grande entreteiner, e não é atoa que ele tem tido os melhores combates dos últimos ppvs.
Com este combate Cena manda literalmente uma “bisca” para os fãs que o criticam, com a derrota dá sinais de luzes a The Rock e ameaças aos Awesome Truth, dupla que lhe custou a vitória no combate.
Nota do combate:: ****
NunoTaker: Chagamos ao Main Event da noite. E mais uma vez, a WWE a inovar. Ao utilizar a nova compleição do ringue, inova o conceito do Last Man Standing, pois aquele arremesso de Del Rio por parte de John Cena para fora do ringue não seria possível se as cordas estivessem no lugar e a parte em que Del Rio vai de cabeça contra o poste direito inferior e com isso, o poste bate nas partes inferiores de Ricardo Rodriguez, enfim, pequenos exemplos de inovação. Uma mistura de Falls Count Anywere com Last Man Standing foi o que a WWE ofereceu ao seu público, e não posso dizer que fiquei desiludido. A interferência de Miz e Truth abrem a porta a Cena para largar da corrida pelo WWE Championship e combate-los no combate tradicional no Survivor Series. Com este grande combate, a WWE manda o seu publico para casa contente e põem a cereja no topo do bolo dum PPV que foi bastante agradável.










































